Heróis de barro


A humanidade não se divide em heróis e tiranos. As suas paixões, boas e más, foram-lhes dadas pela sociedade, não pela natureza. (Charles Chaplin)

Desde pequenos fomos doutrinados a depositar nossas esperanças neles: os heróis. Nos desenhos animados, eles com suas armas de guerra combatiam o “inimigo” feio, mal e cercado de idiotas que sempre perdiam. Era a apresentação infantil de um “mundo binário”, “preto e branco”, onde só cabem nele “heróis e vilões”. Os filmes ajudaram a moldar a nossa mentalidade, principalmente com aquele franco-atirador patriota e militar, que com uma faixa na cabeça eliminava os “maus” a base de metralhadora. E nós torcíamos por isso! Vibrávamos com cada morte sangrenta! O Rambo era forte, sério, temido e ao mesmo tempo amado pelas mulheres e seguido de maneira cega pela legião de fãs. E desde então Hollywood criou centenas de heróis que aprendemos a admirar.

É preciso dizer que a estratégia deu certo! O homem moderno não conseguiu estar “além do bem e do mal” como sugeriu um certo filósofo chamado Nietzsche. Para facilitar o entendimento de um mundo extremamente complexo, decidimos acreditar na ilusão de que o mundo se resume em uma luta entre “bandidos e mocinhos”. Todo político mal intencionado e maquiavélico sabe usar dessa ilusão humana e oportunamente inventa “inimigos” a combater. Torna-se um grande “herói” combatendo “comunistas”, “baderneiros”, “judeus”, “imigrantes” e toda a minoria diferente daquela imagem do “herói” construída desde criança nos desenhos. Se não se parece com o “herói”, só pode ser o “vilão”, não é mesmo? O “vilão” é a imagem do esqueleto inimigo do He-man… feio, fraco e com os seguidores mais idiotas. O discurso do “herói” na política é uma coisa impressionante, um discurso que consegue ir ao encontro daquele que vive ainda na ilusão dos desenhos animados. Meninos mimados são os que acreditam em “heróis”. Esses “heróis” da religião, dos esportes, mas principalmente os da política, são feitos de barro que na primeira tempestade que enfrentam se desfazem e se esfarelam. Logo nasce outro, e depois outro, e outro, porque as “crianças do mundo” não suportariam viver sem eles. Os heróis fazem parte de uma necessidade imagética humana! Orientação, inspiração, modelo ideal, esse tipo de coisa de que precisamos e que as “crianças do mundo” buscam no herói de barro. Oxalá, todo martelo da realidade quebrasse toda a ilusão de um “herói” humano!

Anderson Luiz

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