Pé no chão


“A arte de vencer se aprende nas derrotas.” (Símon Bolívar)

Em um mundo onde o capital financeiro dá as cartas, as palavras mágicas são sucesso, ascensão, crescimento, desenvolvimento, vitória e progresso. E isso é tão internalizado em alguns que a frustração é uma certeza. Frustração porque ninguém sempre vence, nada nem sempre só progride. A vida é complexa demais para acreditarmos que tudo sempre dará certo, que a economia sempre vai crescer, que o desenvolvimento e o progresso de um país são “ad aeternum”. Somos humanos, e a vida humana é feita de altos e baixos, acertos e erros, vitórias e derrotas. Só um desequilibrado pode acreditar que ele só ganhará.

Vivemos em um estágio perigoso e inconsequente da vida, estágio esse do capitalismo financeiro em que não se admite erros humanos no trabalho. Cada erro é visto como desperdício! O ser humano hoje é visto como “capital humano”, uma mercadoria, uma empresa (na ideologia neoliberal) que recebe grande investimento financeiro e precisa dar retorno. Cada erro é custo! Cada erro é desperdício! Quanto vale um trabalhador? Quanto vale um “capital humano”? E esse trabalhador transformado em “capital humano” carrega o peso de sempre ganhar, sempre acertar, sempre inovar (inovação é outra palavrinha mágica), sempre desenvolver, sempre progredir, mas o fluxo natural da vida vem mostrar que isso não é possível. Cada per capita (cabeça) um valor, cada aluno um custo, cada empregado um investimento e nessa contabilidade sombria, o desperdício despendido com um “perdedor” e com aquele que erra, é evitado. Por que nos deixamos ser transformados de trabalhadores a “capital humano”?

Somos trabalhadores e não “capital” de uma empresa, de um empregador. Não somos máquinas, objeto, mercadoria. Somos humanos, ora acertando, ora errando, subindo, descendo, caindo e levantando, carregando sentimentos, emoções e uma história peculiar. Cientes de que não só ganhamos, mas perdemos também. Buscamos sim evoluir, desenvolver, progredir, mas para tudo há um tempo e um limite. Aquela história de que “o céu é o limite” é uma falácia. A terra é o limite! Pé no chão, cabeça no lugar e não na lua.

Anderson Luiz

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