Capítulo 8 – Características do usurpador


Por isso, festejai, ó céus, e vós, os que neles habitais. Ai da terra e do mar, pois o diabo desceu até vós, cheio de grande cólera, sabendo que pouco tempo lhe resta. (Apocalipse 12:12)

Levantar-se-á, depois, em lugar dele, um que fará passar um exator pela terra mais gloriosa do seu reino; mas, em poucos dias, será destruído, e isto sem ira nem batalha. (Daniel 11:20)

Esse rei de reinado rápido na terra, que foi revelado ao profeta Daniel, é um ser humano que será regido por Satanás. É muito provável que ele seja da família do falso cristo ou algum subordinado de sua confiança. Essa história que trata da proximidade dessas duas figuras é antiga e já foi reproduzida em inúmeros mitos e lendas. Aqui se trata do usurpador! Um traidor, de índole maligna, um promovedor de violências, perseguições e intrigas em todo o mundo.

Dono de uma ira satânica, esse ser humano será do signo de capricórnio, o qual é regido por Saturno (representação de Satanás). Saturno para os gregos era um “deus” temido porque devorava os seus próprios filhos assim que eles nasciam evitando que eles crescessem e lhe tomassem o trono. Na mitologia, foi ele quem destronou seu pai Urano, “deus” dos céus, (representação luciferiana) por inveja. Foi por inveja também que na mitologia egípcia, Seth, o “deus” das trevas e do deserto, destronou Osíris (outra representação luciferiana) que era seu irmão. No mito germânico, seu nome era Loki, o ardiloso que tramou a morte de Balder, o “deus” da luz (outra representação luciferiana). Entre inúmeros outros mitos que narram uma história parecida, há também o conto do rei Arthur que foi traído pelo seu fiel escudeiro Mordred. Na lenda o rei Arthur tinha saído para guerrear longe de suas terras e deixou Mordred para proteger o reino e sua esposa. Mordred se aproveitou da ausência do rei e se autoproclamou rei, usurpando o trono que não era seu e traindo o seu rei, Arthur. O profeta Daniel relata que o primeiro rei (o falso cristo) depois de estar longe, “voltará para as fortalezas da sua própria terra; mas tropeçará, e cairá, e não será achado” (Daniel 11:19). Logo se levantará em seu lugar o usurpador que governará em poucos dias (Daniel 11:20).

Acontecerá na terra o que se passou no céu, o homem regido por Satanás também cairá como um relâmpago (Lucas 10:18), mas antes “perseguirá os que tem o testemunho de Jesus, sabendo que pouco tempo lhe resta” (Apocalipse  12:17). Devorará toda a terra, saqueará suas riquezas e as entesourará. É esse o significado de “que fará passar um exator pela terra mais gloriosa do seu reino”. No dicionário, exator é o que exige o que lhe é devido, ou aquele que cobra tributos, impostos e arrecada rendas. O “rei de Tiro”, uma antiga cidade fenícia, é a representação do próprio Satanás. Como vimos, ele também é conhecido como um “deus” do comércio, o cavaleiro montado no cavalo preto, a personificação da injustiça (Apocalipse 6:5e6).

Na multiplicação do teu comércio encheram o teu interior de violência, e pecaste; por isso te lancei, profanado, do monte de Deus, e te fiz perecer, ó querubim cobridor, do meio das pedras afogueadas. Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei, diante dos reis te pus, para que olhem para ti. Pela multidão das tuas iniqüidades, pela injustiça do teu comércio profanaste os teus santuários; eu, pois, fiz sair do meio de ti um fogo, que te consumiu e te tornei em cinza sobre a terra, aos olhos de todos os que te vêem. Todos os que te conhecem entre os povos estão espantados de ti; em grande espanto te tornaste, e nunca mais subsistirá. (Ezequiel 28:16a19)

Pela descrição do “rei de Tiro” é possível sugerir algumas das características que o usurpador, o homem regido por Satanás, terá. Esse “rei” era um ser justo e perfeito (Ezequiel 28:11e12), mas que se corrompeu se tornando injusto (Ezequiel 28:18). Na história humana, temos uma história parecida de um justo que foi corrompido. Robespierre foi chamado de o “incorruptível”. Maximilien François Marie Isidore de Robespierre foi um advogado e político francês, e uma das personalidades mais importantes da Revolução Francesa. Principal membro dos Montanha durante a Convenção, ele encarnou a tendência mais radical da Revolução, transformando-se numa das figuras mais controversas deste período. Os seus inimigos chamavam-lhe o “Candeia de Arras”, “Tirano” e “Ditador sanguinário” durante o “Terror”. Criou um Comitê de Salvação Pública para perseguir os inimigos da revolução e instaurou o regime do “Grande Terror” – o auge da ditadura de Robespierre que já se encontrava corrompido pela violência e pela injustiça. O “Terror” foi o período francês onde milhares foram guilhotinados a mando de Robespierre, inclusive amigos deste. O número oficial de execuções foi de 16.594, na qual 2.639 ocorreram apenas em Paris. Apesar disso, há um consenso de que o número é muito maior devido às mortes na prisão, suicídios e pessoas abatidas na guerra civil. Seu governo foi breve! No fim de seu governo, Robespierre tomou do seu próprio veneno: foi mandado para a guilhotina.

Outra história humana que parece fazer uma alusão a esse “usurpador” é a da relação tensa entre Alexandre o grande e um de seus generais de nome Antípatro.  Antípatro  foi regente da Macedônia durante a campanha de Alexandre na Ásia e depois regeu brevemente todo o Império Macedônico. Inicialmente Antípatro era um grande amigo tanto do jovem Alexandre como de sua mãe, Olímpia, havendo até boatos de que ele era o pai de Alexandre. Posteriormente o velho general e a rainha-mãe se tornaram inimigos. Olímpia escrevia a Alexandre contra Antípatro. Receoso das más consequências das desavenças entre Olímpia e Antípatro, Alexandre ordenou em 324 a.C. que o regente deixasse o cargo e viesse liderar as tropas novatas na Ásia. No verão de 323 a.C., Alexandre ordenou a todas as cidades gregas que acertassem o retorno de seus exilados e lhes devolvessem os seus bens. Isso criou grandes tensões, pois Antípatro sabia que não poderia reduzir a força de seu efetivo. Ele enviou seu filho Cassandro para a Babilônia, mas sua missão diplomática foi um fracasso, porque Alexandre interpretou a recusa de Antípatro como uma confirmação dos relatórios de Olímpia de que ele era um conspirador e traidor. A família de Antípatro caiu em desgraça até que o rei morreu inesperadamente em 11 de junho de 323 a.C., “sem ira nem batalha” (Daniel 11:20). Havia ainda rumores de que Antípatro teria mandado envenenar Alexandre, que morreu de causa até hoje misteriosa.

As características do usurpador, o homem regido por Satanás, será as de um Judas. Não à toa, o Cristo do Altíssimo disse que Satanás dominou Judas, aquele que o traiu (Lucas 22:3e4). Esse homem será essencialmente um traidor e usurpador! No seu breve tempo de governo uma grande perseguição aos que “guardam os mandamentos de Deus e tem testemunho de Jesus Cristo”, acontecerá (Apocalipse 12:17). Conspirações políticas, injustiças e perseguições acontecerão sob sua influência no mundo. Em sua época, muito sangue inocente será derramado como foi no período da Inquisição na chamada Idade Média. Será um período tenebroso de “olho por olho e dente por dente”, de “justiça” cega feita pelas próprias mãos e de políticas de austeridade realizadas por um grande tirano, o usurpador. Esse período foi revelado pelo Cristo do Altíssimo:

Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome. Nesse tempo muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão. E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará. Mas aquele que perseverar até o fim será salvo. E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim. (Mateus 24:9a14)

A inclinação política do homem do signo de capricórnio será conservadora, autoritária e rígida para com todos sobre seu domínio. Bem ao estilo João sem terra, ele agirá usurpando. É um traidor! Essa é a sua essência! A História diz que João sem terra, ou João de Inglaterra, era irmão de Ricardo coração de leão que se tornou rei em 1189. João era o irmão mais novo, e o herdeiro em potencial. Por várias vezes chegou a querer usurpar o trono de seu irmão causando rebeliões. Depois da morte de Ricardo foi proclamado rei. Passou parte de seu governo arrecadando enormes receitas (Daniel 11:20), reforçando as forças armadas e fazendo alianças. Enfrentou grandes rebeliões por conta de suas políticas fiscais, promoveu reformas judiciais e elaborou a famosa “Magna Carta”. João morreu de disenteria em 1216. Foi destruído, “sem ira e nem batalha”.

O dragão vermelho é a representação do Satanás descrito no Apocalipse (Apocalipse 12:3e4). Ele também é o quarto animal não identificado pelo profeta Daniel (Daniel 7:7). Curioso saber que o dragão vermelho está na bandeira do país de Gales, na Grã-Bretanha e foi colocado no escudo real da Inglaterra por Henrique VII. Durante o reinado dos monarcas Tudor, o dragão vermelho foi usado no brasão de armas da coroa inglesa ao lado do tradicional leão inglês. É o dragão vermelho, o grande usurpador, na figura de um homem, quem entregará o seu poder, trono e autoridade ao Anticristo (Apocalipse 13:2). Depois que o homem de Satanás cair “sem ira e nem batalha”, surgirá o “último rei”. Segundo as características do “rei de Tiro”, o usurpador:

  • Será conhecido pela sua aparente “justiça”, sabedoria e beleza (Ezequiel 28:12).
  • Poderá se enriquecer em um comércio de pedras preciosas e de metais como o ouro (Ezequiel 28:13).
  • Poderá ser uma espécie de guardião e protetor do falso cristo, até que o traia (Ezequiel 28:14).
  • Será consumido pela iniqüidade e pela violência (Ezequiel 28:15e16).
  • Cairá por conta de ter sido corrompido em seus princípios (Ezequiel 28:17)
  • Se transformará em um ser injusto e será objeto de medo diante dos homens. Muitos ficarão aterrorizados com a sua existência (Ezequiel 28:18e19).
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