Capítulo 6 – Os quatro cavaleiros do Apocalipse


Tive de noite uma visão, e eis um homem montado num cavalo vermelho; estava parado entre as murteiras que havia num vale profundo; atrás dele se achavam cavalos vermelhos, baios e brancos. Então, perguntei: meu senhor, quem são estes? Respondeu-me o anjo que falava comigo: Eu te mostrarei quem são eles. Então, respondeu o homem que estava entre as murteiras e disse: São os que o Senhor tem enviado para percorrerem a terra. (Zacarias 1:8a10)

Em uma visão o profeta Zacarias contempla os mesmos cavalos vistos por João no livro de Apocalipse. João enxerga os quatro cavalos e seus respectivos cavaleiros de uma maneira mais clara (Apocalipse 6:1a8). Há um mistério nessa revelação! Aqui se afirma a soberania do Altíssimo que intervém na história humana de uma maneira que não entendemos: usando a ganância, a guerra, a injustiça, a morte e o inferno. O Altíssimo, soberano sobre tudo e todos, em alguns relatos das Escrituras se revela como aquele que tem o controle total sobre a criatura e define assim os limites da sua criação, incluindo entre essas criações os anjos que caíram e a si mesmos se fizeram “deuses”. O Altíssimo foi a proteção de Israel diante do destruidor (a Morte) e não permitiu que esse entrasse em suas casas para os ferir (Êxodo 12:23). O Altíssimo permitiu Satanás, o adversário do homem (não é adversário de Deus), tentar a Jó e definiu alguns limites a essa criatura (Jó 1: 12). Já no livro de Apocalipse, é possível notar que quem abre os sete selos do livro visto por João e libera a atuação dos quatro cavaleiros (a ambição, a guerra, a fome e a morte) dos últimos dias, é o próprio Cordeiro que muitos identificam com o Cristo do Altíssimo.

Vi quando o Cordeiro abriu um dos sete selos e ouvi um dos quatro seres viventes dizendo, como se fosse voz de trovão: Vem! Vi, então, e eis um cavalo branco e o seu cavaleiro com um arco; e foi-lhe dada uma coroa; e ele saiu vencendo e para vencer. (Apocalipse 6:1e2)

  • Cavaleiro do cavalo branco

Quem seria essa figura enigmática? Aqui se trata de um ente espiritual, já que essa visão se dá em alguma dimensão espiritual (Apocalipse 1:9a11), mas com ações e reflexos diretos na história humana. Relacionando esse cavaleiro e seu cavalo com os respectivos cavaleiros que se apresentam posteriormente, em cavalos de cores vermelha, preta e amarela (a guerra, a injustiça e a morte), é ingênuo achar que essa figura representa a paz ou Jesus como sugerem alguns. Mesmo por que, quem libera essa figura é o próprio Cordeiro (o Cristo). Trata-se aqui do espírito do falso Cristo, figura enigmática que detalharemos em outro capítulo. Essa figura representa o chamado “príncipe da luz branca”, Lúcifer ou Lucifér, o “príncipe deste mundo” e “primeiro governante da terra” (Daniel 7:4; 8:21). Notem que “foi-lhe dada uma coroa”!

O branco simboliza o novo, a pureza e a paz. Aqui se trata de uma falsa paz, já que esse é um cavaleiro de batalhas, que sai “vencendo e para vencer”. Essa figura enigmática faz o bom uso do dito popular: “se queres paz, se prepara para guerra”. Trata-se de um conquistador voraz e sem limites, um ambicioso e ousado cavaleiro que não aceita perder nenhuma batalha. É curioso saber que no mito egípcio, Osíris, representação luciferiana conhecido como o primeiro governante do Egito, era representado pela cor branca. Um dos símbolos chaves de Osíris era um cajado de pastor. No Egito Antigo havia uma divisão entre o Alto Egito (representado pela coroa branca) e o Baixo Egito (representado pela coroa vermelha). Só para efeito de curiosidade, a “Guerra Fria” foi um período de tensão sobre possíveis conflitos que poderiam ocorrer entre os poderes da Casa Branca em Washington (representada pelos EUA) e o Kremlin de Moscou, que fica de frente a Praça Vermelha (representada pela Rússia). Coincidência?

Lucifér, o cavaleiro do cavalo branco é possuidor do “arco do triunfo”. O “arco do triunfo” é um símbolo místico encontrado em várias sociedades secretas, entre elas a Maçonaria. Diz-se que o “arco do triunfo” surgiu na Roma Antiga para celebrar a vitória dos generais, a ascensão de um novo imperador ou para comemorar a criação de uma nova colônia, coincidindo com uma “nova era”. Existem alguns “arcos do triunfo” construídos pelo mundo a fora. O Arco de Tito, imperador romano, em Roma. O Arco do Triunfo em Paris, O Arco Triunfal de Narva em São Petersburgo, o Arco de Wellington em Londres, etc. Todos representam uma vitória em alguma batalha já ocorrida.

Não dá para falar na personificação da “ambição desmedida”, o cavaleiro montado no cavalo branco, sem trazer a mente o sistema político-econômico que tem se mostrado um sistema falho e opressor em todo o mundo: o capitalismo. Capital significa “cabeça”, “o principal”, “o primeiro”. Esse regime político-econômico que tem se demonstrado opressor (Isaías 14:4), concentrando cada vez mais riquezas nas mãos de uns poucos privilegiados (cabeças) em detrimento da pobreza e da miséria de uma grande maioria, sustentáculo dessa pirâmide, é o terreno fértil da “ambição”. E nada mais fomenta a ambição desmedida humana do que a política-econômica neoliberal. O neoliberalismo tem formado a mentalidade do “novo homem” da “nova era”, um sujeito com novos valores e princípios: “Energia, iniciativa, ambição, cálculo e responsabilidade pessoal”.

Trata-se do indivíduo competente e competitivo, que procura maximizar seu capital humano em todos os campos, que não procura apenas projetar-se no futuro e calcular ganhos e custos como o velho homem econômico, mas que procura sobretudo trabalhar a si mesmo com o intuito de transformar-se continuamente, aprimorar-se, tornar-se sempre mais eficaz. O que distingue esse sujeito é o próprio processo de aprimoramento que ele realiza sobre si mesmo, levando-o a melhorar incessantemente seus resultados e seus desempenhos. (Dardot, Pierre; Laval, Christian. A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal. São Paulo: Boitempo, 2016)

É a semente do espírito da ambição que faz do homem atual alguém que quer “sair sempre vencendo”, como o cavaleiro do cavalo branco na sua ambição desmedida. É o reflexo da ambição luciferiana de “subir ao céu” e se tornar “semelhante a Deus” que se reflete no homem da “nova era”, o neoliberal que acredita no mérito pessoal e vê os “pobres” do mundo como verdadeiros incompetentes e fracassados. A “ambição desmedida” é o desejo incessante de “sempre mais”, a insatisfação eterna que impulsiona a natureza humana a achar que “o céu é o limite”, ou não.

O novo sujeito é o homem da competição e do desempenho. O empreendedor de si é um ser feito para “ganhar”, ser “bem-sucedido”. O esporte de competição, mais ainda que as figuras idealizadas dos dirigentes de empresa, continua a ser o grande teatro social que revela os deuses, os semideuses e os heróis modernos. (Dardot, Pierre; Laval, Christian. A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal. São Paulo: Boitempo, 2016)

No neoliberalismo, o abismo que separa uma cada vez mais rica minoria de uma cada mais pobre maioria, é um dos resultados dessa ideologia na história humana. Para os neoliberais, a questão não é vencer, mas continuar vencendo, crescendo, evoluindo, se superando. Um mundo sem “inimigos” e sem “competição” é um mundo que não dá vazão as suas ambições desmedidas. É necessário criar “inimigos” e “desafios” para sempre continuar vencendo, avançando, saqueando, oprimindo, conquistando e se enriquecendo. O capitalismo “saiu vencendo e para vencer” desde o fim da ex-URSS (atual Rússia) que adotou o regime comunista. Desde lá (1991), o capitalismo tem assegurado uma aparente “paz” no mundo, acumulando cada vez mais riquezas nas mãos de poucos, o que em breve terminará em um colapso jamais visto na história, numa crise global que culminará em guerras, trazendo o cavaleiro do cavalo vermelho para cumprir o seu papel.

  • Cavaleiro do cavalo vermelho

Quando abriu o segundo selo, ouvi o segundo ser vivente dizendo: Vem! E saiu outro cavalo, vermelho; e ao seu cavaleiro, foi-lhe dado tirar a paz da terra para que os homens se matassem uns aos outros; também lhe foi dada uma grande espada. (Apocalipse 6:3e4)

Belial, Beliel ou Beliar, é o cavaleiro da guerra. A personificação da guerra. Nenhuma semelhança com a palavra “bélico” é mera coincidência. Mestre das armas em toda a literatura de demonologia, esse anjo caído é tido como “senhor das legiões e poderios do inferno”. É a “guerra” personificada em um dos cavaleiros mais temidos e sanguinolentos, aquele capaz de “semear intrigas entre irmãos” (Provérbios 6:19). A ele foi dado permissão de rodear a terra, “tirar a paz” e causar intrigas entre nações e nações. É o anjo caído enviado contra os judeus e contra Jerusalém, o ente que se manifesta no Anticristo. Esse ser obscuro fomentará de novo o fascismo no mundo e instigará a “extrema-direita”, que carrega suas características e que acredita na superioridade de uns sobre outros, fazendo uso do militarismo, do patriotismo, da xenofobia, da arrogância e da prepotência.

A indústria bélica é o reduto do cavaleiro do cavalo vermelho e as tecnologias cada vez mais sofisticadas para serem usadas em guerras, sua inspiração. Guerra gera lucros tremendos para os donos das indústrias bélicas. “Fomentando intrigas e dissensões” em todo o mundo através do medo, as nações competem vorazmente por comprar cada vez mais armamentos militares. As causas das guerras são complexas, mas geralmente elas surgem de um conflito político-econômico. Segundo Julian Lider:

As guerras ocorrem entre estados porque as sociedades têm interesses econômicos conflitantes que procuram promover ou proteger. As guerras entre estados são provocadas por causa de poderosos grupos econômicos, que lucram com a guerra, e que tem influência sobre seus governos. Todas as teorias não-marxistas que consideram o imperialismo como origem das guerras incluem este argumento.

A importância de motivos econômicos como causa de guerra é reconhecida por muitos representantes de várias outras abordagens. Os antropólogos têm acentuado, por exemplo, que nos primeiros períodos da história social os homens recorreram ao combate armado principalmente por razões econômicas. Eles preferem não chamar tais combates como guerra, reservando esta expressão para descrever a luta que se processa principalmente por razões econômicas ou que se tornou institucionalizada. (Lider, Lulian. Da natureza da guerra. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Ed., 1987)

Belial “semeia a intriga” no coração de homens maus e suas “legiões infernais” estão sempre prontas a massacrar. O vermelho de sua cor simboliza o sangue derramado, e é também a cor da paixão e da vontade férrea que deixa de lado a racionalidade. A “guerra” é irracional, selvagem e primitiva! Na mitologia romana, Marte (representação de Belial), “deus” da guerra, era o filho mais odiado por seu pai Júpiter. Marte era representado com uma espada, símbolo da guerra.

E veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Filho do homem, profetiza, e dize: Assim diz o Senhor: dize: A espada, a espada está afiada e polida. Para a grande matança está afiada, para reluzir está polida. Alegrar-nos-emos pois? A vara de meu filho é que despreza todo o madeiro. E foi dada a polir, para ser manejada; esta espada está afiada, e está polida, para ser posta na mão do matador. Grita e geme, ó filho do homem, porque ela será contra o meu povo, contra todos os príncipes de Israel. Estes, juntamente com o meu povo, estão espantados com a espada; bate, pois, na tua coxa. (Ezequiel 21:8a12)

Na mitologia egípcia, Hórus, “deus” da guerra, enfrenta em uma batalha seu tio traidor e assassino de seu pai Osíris. Na luta contra Seth, Hórus perde um de seus olhos. Esse olho perdido era um dos símbolos mais significativos para os egípcios, o famoso “olho de Hórus”. Hoje, esse “olho” conhecido como o “olho que tudo vê” pode ser visto em vários lugares e principalmente na TV (a televisão é um grande olho). Esse “olho” representa vigilância, proteção e controle. Nada foge do “olho” das tecnologias atuais. Vivemos em um mundo que a cada dia o “sistema” nos tenta cercear a liberdade. Somos vigiados todo tempo na internet, pelos smartphones, nas câmeras instaladas nos estabelecimentos, por satélites, etc. E cada vez mais o controle sobre o mundo se dará, até que o cenário esteja montado para o aparecimento dessa figura enigmática, controladora e autoritária que surgirá como aquele “grande irmão” (Big Brother) do livro “1984” de George Orwell. E depois de semear a guerra no mundo, como profetizou o Cristo do Altíssimo, nação se voltará contra nação e haverá grandes terremotos, epidemias e fome em vários lugares (Lucas 21:9a11).

  • Cavaleiro do cavalo preto

Quando abriu o terceiro selo, ouvi o terceiro ser vivente dizendo: Vem! Então, vi, e eis um cavalo preto e o seu cavaleiro com uma balança na mão. E ouvi uma como que voz no meio dos quatro seres viventes dizendo: Uma medida de trigo por um denário; três medidas de cevada por um denário; e não danifiques o azeite e o vinho (Apocalipse 6:5e6).

Consequência da ambição desmedida, influência luciferiana, e das guerras e intrigas fomentadas pelo espírito do Anticristo, a fome, produto da injustiça, assolará o mundo. A “fome é negra”, obscura, cruel e injusta. A balança nas mãos dessa figura conhecida como Azazel (o diabo), é um símbolo de justiça. Mas Azazel é a personificação da “injustiça”. É o “mistério da injustiça que opera” no mundo, o causador de revoltas em toda a história da humanidade (II Tessalonicenses 2:7). Essa figura rege o comércio mundial (a balança também é símbolo do comércio), particularmente o “mercado negro”, comércio ilegal e injusto que representa a segunda maior economia do mundo. Tráfico de drogas, de armas, de órgãos e de vidas humanas são frutos da “injustiça”.

Possivelmente Azazel é o ente oculto por trás do cultuado “mercado”, o “deus” dos economistas atuais, os novos “profetas” de nossa era. O diabo, por causa da “injustiça do teu comércio” foi punido pelo Altíssimo (Ezequiel 28:18). Ele é o ente espiritual que transforma o mundo e as relações humanas em mercadoria, resumindo tudo em trocas, em consumo, em interesses que se resumem na frase: “não existe almoço grátis”. O mundo frio e sem amor, é o reflexo desse cavaleiro “mercador” que a tudo transforma em mercadoria a ser consumida e descartada, inclusive “almas humanas” (Apocalipse 18:11a13). Sobre esse “mundo do consumo” e do descarte fácil de mercadorias, o sociólogo Zigmunt Bauman observa que:

Em geral, a capacidade de utilização de um bem sobrevive à sua utilidade para o consumidor, Mas, usada repetidamente, a mercadoria adquirida impede a busca por variedade, e a cada uso a aparência de novidade vai se desvanecendo e se apagando. Pobres daqueles que, em razão da escassez de recursos, são condenados a continuar usando bens que não mais contêm a promessa de sensações novas e inéditas. Pobres daqueles que, pela mesma razão, permanecem presos a um único bem em vez de flanar entre um sortimento amplo e aparentemente inesgotável. Tais pessoas são os excluídos na sociedade de consumo, os consumidores falhos, os inadequados e os incompetentes, os fracassados – famintos definhando em meio à opulência do banquete consumista. (Bauman, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.

Os excluídos de hoje na era da pós-modernidade, para Baumam, são aqueles que não possuem recursos financeiros para consumir e sempre continuar consumindo. Esses estão fadados ao fracasso, limitados em suas escolhas, já que a riqueza hoje é poder ter a liberdade de escolher entre variados produtos e mercadorias. É o “deus” mercado impondo um mundo novo! A “injustiça” operando nesse mundo, confirmando um cardápio opulento de escolhas para uns e a limitação a uma única opção (ou talvez nenhuma) para outros. Um mundo novo do consumo, com seus ricos consumidores abastados e seus pobres consumidores falhos. A distância entre os ricos e os pobres, quer medida na escala de mercados globais, quer numa escala muito menor, está aumentando desenfreadamente, e a opinião predominante é de que os ricos provavelmente se tornarão ainda mais ricos, mas os pobres muito certamente se tornarão mais pobres.

Enquanto os ricos (supostos satisfeitos) desfrutam de um elevado grau de liberdade da escolha pessoal, reagindo viva e alegremente ao crescente leque de atraentes ofertas do mercado, é fácil demais redefinir aqueles que não reagem da maneira esperada por parte dos consumidores adequados (seduzíveis) como pessoas inaptas para fazer bom uso da sua liberdade de escolha; pessoas que são, em última análise, inaptas para serem livres. Além disso, os pobres de hoje (aqueles consumidores irremediavelmente falhos, imunes às adulações do mercado e improváveis contribuintes para a procura ávida de estoques, por mais tentadores que esses estoques possam ser) são evidentemente inúteis para os mercados orientados para o consumidor e, cada vez mais, também para governos de estado, que agem mais e mais como beleguins e xerifes locais em nome do comércio e das finanças extraterritoriais. Os pobres de hoje não são mais as “pessoas exploradas” que produzem o produto excedente a ser, posteriormente, transformado em capital; nem são eles o “exército de reserva da mão-de-obra”, que se espera seja reintegrado naquele processo de produção de capital, na próxima melhoria econômica. Economicamente falando (e hoje também governos politicamente eleitos falam na linguagem da economia), eles são verdadeiramente redundantes, inúteis, disponíveis, e não existe nenhuma “razão racional” para a sua presença contínua… A única resposta racional a essa presença é o esforço sistemático para excluí-los da sociedade “normal” – ou seja, a sociedade que se reproduz por meio do jogo da oferta ao consumidor e escolha do consumidor, mediado pela atração e sedução. (Bauman, Zygmunt. O mal-estar da pós-modernidade. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.)

O cavaleiro negro possui uma balança para medir o grão (símbolo do que mata a fome) que é escasso e sobe de preço exatamente por isso. Foi o que aconteceu na Alemanha como consequência da primeira guerra mundial, onde uma unidade de pão era vendida por um valor exorbitante e impagável. É uma regra do comércio mundial, quanto mais raro um produto no mundo, mais encarecido ele tenderá a ficar. Haverá uma época em que o mundo passará por uma escassez de alimentos? Aliás, “escassez”, “restrição financeira” e “racionamento” são palavras tão atuais, que enquanto houver a “operação do mistério da injustiça”, tenderão a serem cada vez mais usadas por governos de estado. A influência desse cavaleiro no mundo é sentida na política como “contenção de gastos”, “racionamento econômico” e “restrições financeiras” desnecessárias, gerando desigualdades e injustiças crescentes. A balança nas mãos de Azazel, é a “balança enganosa” que representa uma “abominação ao Altíssimo” (Provérbios 11:1).

  • Cavaleiro do cavalo amarelo

Quando o Cordeiro abriu o quarto selo, ouvi a voz do quarto ser vivente dizendo: Vem! E olhei, e eis um cavalo amarelo e o seu cavaleiro, sendo este chamado Morte; e o Inferno o estava seguindo, e foi-lhes dada autoridade sobre a quarta parte da terra para matar à espada, pela fome, com a mortandade e por meio das feras da terra. (Apocalipse 6:7e8)

O mais temido e vingativo cavaleiro do Apocalipse, a “Morte”, é a representação final da destruição, do abismo humano em que a humanidade se encontra, da praga que nos afasta profundamente do Criador. A “Morte” aqui personificada não representa o estado natural e humano, o qual todos irão ter que enfrentar. A “Morte” aqui retratada e personificada representa o espírito de destruição do que resta de humano em nós e nos mantém vinculado ao Altíssimo. É o abismo sem fim onde a alma humana se encontra.

Abbaddom, descrito como o abismo profundo e poço sem fim, o Hades (lugar dos mortos), é a representação da separação máxima da criatura, do Criador. É o anjo caído da vingança que traz junto de si destruição, o inferno (tormento) na terra, as doenças incuráveis e todo sentimento relacionado à “morte”. O amarelo representa a cor da desfiguração, da anemia e da putrefação do corpo humano. Esse anjo chefe de miríades de “gafanhotos” prontos a atormentarem o mundo (Apocalipse 9:1a11), sairá do poço do abismo em que está preso (se já não saiu) e só não terá permissão de tocar naqueles que possuem o selo espiritual do Altíssimo sobre a fronte (Apocalipse 9:4). O mundo se transformará um dia em caos! Destruição sobre destruição virá, explosões e ataques suicidas serão vistos em vários lugares e as feras da terra (animais selvagens) também terão participação nesse espetáculo horrendo (Apocalipse 6:8). Possivelmente Israel e os judeus serão o alvo principal desses poderes infernais capazes de escurecer o sol e trazer as trevas ao mundo (Apocalipse 9:1a3). O profeta Joel, já havia contemplado esse grande exército infernal capaz de explosões, destruições jamais vistas e ataques suicidas:

Tocai a trombeta em Sião e dai voz de rebate no meu santo monte; pertubem-se todos os moradores da terra, porque o Dia do Senhor vem, já está próximo; dia de escuridade e densas trevas, dia de nuvens e negridão! Como a alva por sobre os montes, assim se difunde um povo grande e poderoso, qual desde o tempo antigo nunca houve, nem depois dele haverá pelos anos adiante, de geração em geração. À frente dele vai fogo devorador, atrás, chama que abrasa; diante dele, a terra é como o jardim do Éden; mas, atrás dele, um deserto assolado. Nada lhe escapa. A sua aparência é como a de cavalos; e, como cavaleiros, assim correm. Estrondeando como carros, vêm, saltando pelos cimos dos montes, crepitando como chamas de fogo que devoram o restolho, como um povo poderoso posto em ordem de combate. Diante deles, tremem os povos; todos os rostos empalidecem. Correm como valentes; como homens de guerra, sobem muros; e cada um vai no seu caminho e não se desvia da sua fileira. Não empurram uns aos outros; cada um segue o seu rumo; arremetem contra lanças e não se detêm no seu caminho. Assaltam a cidade, correm pelos muros, sobem às casas; pelas janelas entram como ladrão. Diante deles, treme a terra, e os céus se abalam; o sol e a lua se escurecem, e as estrelas retiram o seu esplendor. O Senhor levanta a voz diante do seu exército; porque muitíssimo grande é o seu arraial; porque é poderoso quem executas as suas ordens; sim, grande é o Dia do Senhor e mui terrível! Quem o poderá suportar? (Joel 2:1a11)

Bélzebu, o “Inferno”, será o fiel companheiro de Hades (ou Plutão na mitologia romana), como Cérbero (uma representação de Bélzebu) era o cão de guarda desse. O “Inferno” aqui personificado no ente espiritual Bélzebu, o senhor das moscas, espalhará epidemias e doenças, febres, suicídios e desgraças jamais vistas entre os homens. A vida humana se tornará insuportável e infernal, doenças cada vez mais novas aparecerão e epidemias se alastrarão pelo mundo como a larva de um vulcão se alastra pela terra. Bélzebu, porteiro dos infernos, auxiliará Abbaddom no fim e o seguirá, os dois autorizados e dispostos a eliminar quase 2 bilhões de habitantes do mundo. O “Inferno” é a representação do termo “sepultura ou Seol” (Isaías 5:14) nas Escrituras. Figuras mitológicas como Odin, Nergal e Anúbis, eram representações de Bélzebu. Odin era o senhor das moradas dos mortos (Valhala, o salão dos mortos), para onde iam os mortos em batalha. Também Nergal era conhecido como um rei infernal, “deus” de guerras civis e doenças, assim como “deus” de morte. Outro que era conhecido como “deus” dos embalsamentos e sepulturas, era o mitológico “deus” com cabeça de chacal (ou cão) chamado Anúbis no Egito.

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