Capítulo 4 – A milícia celestial


Mas Deus se afastou e os entregou ao culto da milícia celestial, como está escrito no Livro dos Profetas: Ó casa de Israel, porventura, me oferecestes vítimas e sacrifícios no deserto, pelo espaço de quarenta anos, e, acaso, não levantastes o tabernáculo de Moloque e a estrela do deus Renfã, figuras que fizestes para as adorar? Por isso, vos desterrarei para além da Babilônia. (Atos 7:42e43)

Ao querer se “assemelhar ao Altíssimo”, Lucifér a si mesmo se fez “deus”. Outros anjos seguiram o seu caminho de rebelião e também se assumiram como “deuses”. O “culto da milícia celestial” sob a liderança da “estrela da manhã” passou a ser difundido em toda terra, e os homens trocaram a adoração ao Criador pela adoração à criatura (Romanos 1:25). Em várias partes das Escrituras é possível ler o alerta divino por meio dos profetas, para que o povo se afastasse desse “culto às milícias celestiais”, a saber, os poderes ocultos, que como a “estrela da manhã”, se identificam usando símbolos como o sol, a lua, os astros e estrelas. E é na mitologia que os contos sobre a “milícia celestial” se fortalecem e se espalham por todos os cantos da terra.

Mitos sempre fizeram parte da cultura humana. Os “deuses” sempre foram parte essencial desses mitos. Na Babilônia, no Egito, na Suméria, na África, em Roma e na Grécia, nos países nórdicos e orientais, e também entre tribos indígenas, as histórias relacionadas às divindades são inúmeras. Seriam os mitos influências dos “deuses” na história humana? Jesus, o Cristo, conviveu com a força cultural dos mitos em sua época na terra, quando foi chamado de Bélzebu por expulsar demônios (Mateus 12:24). Bélzebu (Baal-Zebub) era um “deus” de Ecrom e fazia parte da mitologia dos filisteus (II Reis 1:1a4). Paulo pregou no areópago, a colina de Ares, o “deus” da guerra da mitologia grega (Atos 17:19) e teve que enfrentar uma confusão causada por adeptos da “deusa” Diana, divindade também grega (Atos 19:23a29). Em outro episódio, Paulo e Silas chegaram a ser identificados com Mercúrio e Júpiter, “deuses” da mitologia romana (Atos 14:11e12).

Nas Escrituras há relatos dos “deuses” das nações: Baal ou Bel, Moloque, Astarote e Berite são alguns exemplos. Os “deuses” mitológicos sempre fizeram parte da história humana e fazem até os dias de hoje. Alguns desses “deuses” são celestes, outros ctônicos (relativo a terra) e ainda outros associados as regiões inferiores da terra e aos mares. Nota-se atualmente o sucesso que os “deuses” mitológicos fazem nos filmes, nos livros e até em desenhos animados, como o “deus” nórdico Thor como exemplo. Como um culto primitivo rodeado de fábulas rudimentares e histórias sem fundamentos científicos sobreviveu em um mundo pós-moderno? É “racional” dar certa credibilidade ao mito? Quando se faz uma pesquisa séria sobre mitos em todas as nações, é possível traçar um paralelo de semelhança entre os “deuses” de diversas outras nações. Como se explica isso? Seria o “inconsciente coletivo” de Carl Gustav Jung? Alguns exemplos:

  • “deus” da guerra: Hórus no Egito; Marduque na Babilônia; Ares na Grécia; Marte em Roma; Tyr entre os nórdicos; Kartiqueia ou Scanda na Índia; Ogum nas religiões de matriz africana?
  • “deusa” do amor, da beleza e dos rios: Isís no Egito; Ishtar na Babilônia; Afrodite na Grécia; Vênus em Roma; Idun entre os nórdicos; Lakshmi na Índia; Oxum nas religiões de matriz africana?
  • “deus” do céu, da paz, da luz, da ressurreição, da agricultura e da embriaguez: Osíris no Egito; Anu na Babilônia; Dionísio na Grécia; Baco em Roma; Balder entre os nórdicos; Vishnu na Índia; Oxalá nas religiões de matriz africana?
  • “deus” dos sepultamentos, doenças e regiões inferiores: Anúbis no Egito; Nergal na Babilônia; Hefesto na Grécia; Vulcano em Roma; Odin entre os nórdicos; Yama na Índia; Obaluaê ou Omulu nas religiões de matriz africana?
  • “deus” da morte, da destruição, da transformação e dos abismos: A serpente Apófis no Egito; Apsu ou Abzu na Babilônia; Hades na Grécia; Plutão em Roma; Jorgmund, a serpente do mundo entre os nórdicos; Shiva na Índia; Oxumarê nas religiões de matriz africana?
  • “deus” dos mares e marinheiros: Sobek no Egito; Lotan na Babilônia; Posseidon na Grécia; Netuno em Roma; Aegir entre os nórdicos; Varuna na Índia; Olokum nas religiões de matriz africana?
  • “deus” mensageiro, da magia e dos comerciantes: Thoth no Egito; Nebo ou Nabu na Babilônia; Hermes na Grécia; Mercúrio em Roma; Hermódr entre os nórdicos; Agnis na Índia; Exu nas religiões de matriz africana?
  • “deus” dos raios, dos ventos e da providência (fartura): Amom no Egito; Enlil na Babilônia; Zeus na Grécia; Júpiter em Roma; Thor entre os nórdicos; Ganesha na Índia; Oxóssi nas religiões de matriz africana?
  • “deus” das folhas, da luz do sol, das chamas e da alegria: Rá no Egito; Samash na Babilônia; Apolo na Grécia; Hélios, o sol em Roma; Freyr entre os nórdicos; Surya ou Garuda na Índia; Ossaim nas religiões de matriz africana?
  • “deusa” dos pântanos, da natureza e dos artistas: Hátor no Egito; Ninki na Babilônia; Ceres na Grécia; Deméter em Roma; Frigg entre os nórdicos; Sarasvati na Índia; Nanã Buruquê nas religiões de matriz africana?
  • “deusa” do vento norte, da fortuna e dos mortos: Neith no Egito; Ereshkigal e Tiamat na Babilônia; Diana na Grécia; Artêmis, a lua em Roma; Hela ou Freya entre os nórdicos; Parvati na Índia; Iansã nas religiões de matriz africana?
  • “deus” dos desertos, tempestades e da ira: Seth no Egito; Enki ou Ea na Babilônia; Cronos na Grécia; Saturno em Roma; Loki entre os nórdicos; Indra na Índia; Xangô nas religiões de matriz africana?

Em toda história humana, os “deuses” sempre guardaram as mesmas características. Muda-se os nomes, os relatos e histórias que os envolve (algumas nem tanto assim), mas na essência suas características predominantes são as mesmas em qualquer canto do mundo. Alguns “deuses” ora são predominantes em certas regiões onde seu poder é maior, ora não se destacam em outras, mas suas características peculiares são as mesmas. Há uma sentença divina contra esses “deuses” das nações, que segundo as Escrituras, “julgam injustamente” e “vagueiam em trevas”.

Deus assiste na congregação divina, no meio dos deuses, estabelece o seu julgamento. Até quando julgareis injustamente e tomareis partido pela causa dos ímpios? Fazei justiça ao fraco e ao órfão, procedei retamente para com o aflito e o desamparado. Socorrei o fraco e o necessitado; tirai-os das mãos dos ímpios. Eles nada sabem, nem entendem; vagueiam em trevas; vacilam todos os fundamentos da terra. Eu disse: sois deuses, sois todos filhos do Altíssimo. Todavia, como homens, morrereis e, como qualquer dos príncipes, haveis de sucumbir. Levanta-te, ó Deus, julga a terra, pois a ti compete a herança de todas as nações. (Salmos 82:1a8)

Nos mais antigos manuscritos, é possível identificar a marca das antigas histórias babilônicas que não fazem distinção clara entre “astros” e anjos. Cristo explicando a seus discípulos sobre o que ele chama de “princípio das dores” (Mateus 24:8) faz uma distinção entre o que aconteceria com o sol, a lua, as estrelas e o que ele chama de “potências dos céus” (Mateus 24:29). Os luminares sofreriam conseqüências naturais como o escurecimento e a queda de estrelas (fenômenos naturais como eclipses e estrelas cadentes), já as “potências dos céus” seriam abaladas, enfraquecidas, conseqüências que se dão em seres animados. Essas “potências dos céus”, é a mesma “milícia celestial” (Atos 7:42) e também tem relação com o “exército dos céus” que era adorado (e continua sendo) e foi objeto de advertências divinas àqueles que os adoravam (Deuteronômio 4:19;17:3/II Reis 17:16;21:3;23:4e5/Jeremias 8:2;19:13). Os judeus chegaram ao ponto de introduzir o culto ao sol no templo supostamente dedicado ao Senhor (Ezequiel 8:16).

Os luminares e astros celestes são criações do Altíssimo que o revelam e o esplendor do sol, da lua, a perfeição do curso dos planetas manifesta a glória do Altíssimo (Salmos 19:4a7/Cânticos 6:10). O Altíssimo criou os luminares como sinais (Gênesis 1:14). Uma estrela foi o sinal do nascimento do Cristo para magos do oriente (Mateus 2:1e2). Os luminares, os astros e estrelas foram criados, para além de manifestarem o poder do Altíssimo, também revelarem sinais dos tempos e das coisas que estão por vir (Apocalipse 12:1e2). “Poderes ocultos” se aproveitaram da ignorância humana e passaram a se identificar como “deuses” e “deusas” celestes, para receber culto e se apropriar da crença humana numa “milícia celestial”. De fato há uma “milícia celestial”, mas o sol, a lua, os astros e estrelas não são “deuses” ou “deusas”, são criações inanimadas.

Durante muito tempo, a astrologia foi chamada de a “arte dos caldeus”, que consistia, sobretudo, em supostamente interrogar as estrelas para desvendar o futuro. Em Israel, a adivinhação era proibida e a astrologia, condenada. Na prática, muitos judeus recorriam no cotidiano à astrologia. Faziam oferendas a “rainha dos céus (Jeremias 7:18) e perscrutavam os sinais dos céus, para saber o futuro (Isaías 47:13).

O oriental dessa época era fascinado pelos céus. Ele imaginava a abóboda celeste como um conjunto de esferas superpostas, pelo qual os astros descreviam o próprio curso. Ele admirava a regularidade que percebia no céu e imaginava que o mundo fosse regido por uma espécie de lei do eterno retorno, que impunha aos homens e à história certo número de ritmos. Tais ritmos o homem daqueles tempos logo sacralizou, rendendo espontaneamente culto ao sol, à lua, aos planetas e às estrelas, para conquistar seu favor e proteção. Os astros representavam para ele deuses e deusas, e as constelações celestes surgiam a sua mente como figuras misteriosas às quais ele conferiu nomes míticos. Esse culto geraria, na vida cotidiana, toda espécie de práticas mágicas e idolátricas. (MARCIONILO, Marcos. Astrologia e fé cristã. Edições Loyola, São Paulo-SP, 1994.)

Na astrologia, há a crença de que os astros influenciam completamente a vida dos homens. Mapas astrológicos e orientações baseadas nos signos são verdadeiros fenômenos de venda. O que ninguém que lê sobre signos em jornais e revistas entende, é que cada um desses signos possui um “deus” regente, ou seja, um astro, estrela (sol) ou satélite (lua) que comanda a vida da pessoa que nisso crê. Isso, segundo a astrologia, depende do dia de nascimento de cada um. Saturno por exemplo, rege o signo de capricórnio, Júpiter rege sagitário, Vênus rege libra, etc. De qual “Saturno” se está falando, do planeta inanimado, ele próprio regido por leis físicas, ou do “deus” Saturno da mitologia romana, cujas características e obras são bem definidas como já vimos? Certamente se fala do “deus” Saturno que influencia como “regente” a vida dos seus “regidos” (nascidos sob seu signo). Ganha força e sentido novamente a “lei espiritual” que afirma que “nos tornamos semelhantes àquilo ou a quem nos submetemos ou somos regidos (governados)” (Salmo 115:8). Esse determinismo (crença que tudo está determinado) só não funciona com aquele ou aquela que nasceu de novo (João 3:3) e por esse motivo nele opera a liberdade de Cristo (João 8:34a36) e a paternidade do Altíssimo (João 1:12). Quem é guiado pelo Espírito do Cristo eterno e crê na mensagem do Filho de Deus, segundo as Escrituras, não está sob lei alguma (Gálatas 5:18).

Na história humana há um exemplo clássico de um homem influenciado pela astrologia. Segundo relatos, Adolf Hitler não fazia muita coisa sem consultar a astrologia. Muitas são as histórias que o ligam ao ocultismo e seitas obscuras. Hitler nasceu sob o signo de Áries regido por Marte, “deus” da guerra e de combates ferozes e sanguinários na mitologia romana. É possível identificar a guerra e demais características desse “deus” na vida do homem chamado de fuher (líder) pelo povo alemão? Coincidência? Há inúmeros outros exemplos na história! O de Hitler é o mais emblemático, por se tratar de um homem identificado por estudiosos das profecias de Nostradamus como o anticristo. Não há comunhão entre Cristo e Belial, o anticristo (II Coríntios 6:15), nem entre Cristo e o culto as “milícias celestiais”! Há um abismo entre Cristo e os chamados “deuses” que, por natureza, não o são, como desmistificou Paulo, ensinando aos Gálatas a se afastarem da astrologia. Paulo diz:

Outrora, porém, não conhecendo a Deus, servíeis a deuses que, por natureza, não o são; mas agora que conheceis a Deus ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como estais voltando, outra vez, aos rudimentos fracos e pobres, aos quais, de novo, quereis ainda escravizar-vos? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Receio de vós tenha eu trabalhado em vão para convosco. (Gálatas 4:8a11)

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