Capítulo 3 – O diabo e seus anjos


E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para terra, e, com ele, os seus anjos. Então, ouvi grande voz do céu, proclamando: Agora, veio a salvação, o poder, o reino do nosso Deus e a autoridade do seu Cristo, pois foi expulso o acusador de nossos irmãos, o mesmo que os acusa de dia e de noite, diante do nosso Deus. (Apocalipse 12:9)

Esse ser temido desde a fundação do mundo e principalmente na Idade Média, conhecido como diabo, acumula vários nomes em toda a história humana. São alguns deles: Azazel, Satanás ou Shaitan (entre os árabes), Satanael, diabo ou diabolus, além de carregar as características de acusador, opositor, traidor, fiscal do mundo, cobrador de dívidas, devorador e inúmeras outras. Mas o que seria e quem é esse diabo? Essa é uma pergunta que não se tem como responder devida nossa limitação humana, mas de acordo com a literatura secular e textos religiosos, trata-se de um ser angelical criado pelo Altíssimo, que por algum motivo se desviou de seus propósitos.

Há uma errônea interpretação das Escrituras entre teólogos ao dizer que o Diabo queria usurpar o trono do Altíssimo. Isso não existe em nenhum lugar nas Escrituras! Existe uma passagem relacionada ao rei da Babilônia (muitos julgam ser Nabucodonosor) que também parece ser uma alegoria a respeito de Lucifér (que não é Satanás), identificado no texto como “estrela da manhã, filho da alva”. A Escritura diz a respeito desse ente:

Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo. Contudo, serás precipitado para o reino dos mortos, no mais profundo do abismo. (Isaías 14:12a15)

É possível perceber nesse relato, que a intenção dessa entidade identificada como “estrela da manhã”, era de se colocar “acima das estrelas de Deus” e ser “semelhante ao Altíssimo”. Essa entidade queria estar acima de alguns anjos criados por Deus (estrelas de Deus) e não acima do Criador. “Estrelas de Deus” são metáforas que representam anjos. Lucifér tem plena consciência de que não há poder maior do que o do Criador, e sabendo disso, quis tão somente “assemelhar-se a Ele”. Aqui está implícita a “onipotência” do Criador e a inferioridade dos anjos, entre eles, Lucifér. O Cristo eterno identifica Lucifér como “o príncipe deste mundo” (João 16:11). No entanto, Cristo foi tentado pelo “rei deste mundo”, Satanás, quando esteve no deserto por 30 dias (Mateus 4:1e2). Segundo relatos ocultistas, Lucifér está em “ascensão” na conhecida “era de aquário”.

O poder e superioridade do Altíssimo sobre Satanás, esta relatado no livro de Jó, quando o diabo demonstra subserviência ao Altíssimo para tentar aos homens (Jó 1:12). De novo no livro de Zacarias, ele aparece debaixo de autoridade divina (Zacarias 3:1e2). Como “o acusador”, ele faz o papel de um procurador celestial que leva as faltas humanas diante do Altíssimo. Essa é a história de Azazel, o demônio encarregado de fiscalizar os homens, anotar suas faltas e erros e cobrar castigo diante do Criador. “O acusador de nossos irmãos, o mesmo que os acusa de dia e de noite, diante do nosso Deus”. Esse ente se alimenta das faltas humanas e se aproveita de nossas crenças e criações. Uma delas é a “lei da reciprocidade”! O diabo usa da lei humana do “olho por olho e dente por dente” e se aproveita dela para não usar de misericórdia alguma com as falhas humanas de “quem vive pela lei” (Gálatas 3:10a12). A “ira de Deus”, o cumpridor da lei a espreita de um tropeço. Mas ele não dá a paga na mesma medida, porque ele é injusto, a personificação da própria injustiça (II Tessalonicenses 2:7).

Satanás é um anjo que o Cristo Eterno viu cair como um relâmpago do céu (Lucas 10:18). Anjos são seres de origem celestial, criados por Deus com alguma missão. Anjos são também mensageiros e segundo estudiosos possuem uma hierarquia. O diabo seria um anjo querubim que pela “multidão de iniqüidades, pela injustiça no comércio”, foi amaldiçoado pelo fogo e passou a gerar medo nos humanos (Ezequiel 28:11a19). Segundo estudiosos, anjos são dotados de força e poder para intervir na história humana com algum propósito. São feitos de elementos da natureza, tais como o fogo, a água, o ar e a terra. O diabo, esse ente que ora se encontra diante do Altíssimo (Apocalipse 12:10), ora se encontra a rodear a terra (Jó 1:7), foi chamado nas Escrituras de “tição tirado do fogo” (Zacarias 3:2). Alguns relatos nas Escrituras que corroboram com essa ideia:

E saiu do altar outro anjo, que tinha poder sobre o fogo, e clamou com grande voz ao que tinha a foice aguda, dizendo: Lança a tua foice aguda, e vindima os cachos da vinha da terra, porque já as suas uvas estão maduras. (Apocalipse 14:18)

 E ouvi o anjo das águas, que dizia: Justo és tu, ó Senhor, que és, e que eras, e santo és, porque julgaste estas coisas. (Apocalipse 16:5)

Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho? E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem. E, quanto aos anjos, diz: Faz dos seus anjos ventos, e de seus ministros labaredas de fogo. Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de equidade é o cetro do teu reino. (Hebreus 1:5a8)  

Alguns anjos são chamados de demônios, palavra que no grego é “daimon” que significa gênio ou inteligência. Esses entes são na verdade espíritos, também denominados de “espíritos imundos” por suas ações perniciosas, e são também capazes de possuir corpos de humanos e de animais (Marcos 5:12e13). Obedecem como chefe um dos anjos de Satanás que tem por nome Bélzebu (Marcos 3:22). Há nas Escrituras e na literatura secular, a identificação desses entes espirituais (alguns deles) chamados de principados, potestades, dominadores deste mundo tenebroso e forças espirituais do mal que atuam nas regiões celestes (Efésios 6:12). Os principais deles são 12 anjos e estão identificados nas Escrituras possivelmente nas citações a seguir:

  • Diabo ou Azazel (Ezequiel 28:12a15);
  • Lucifér ou Baal (Isaías 14:12a15);
  • Bélzebu ou Mefistófeles (II Reis 1:2e3);
  • Astaroth (I Reis 11:5);
  • Belial ou Beliar (II Coríntios 6:15);
  • Belberith (Juízes 9:46);
  • Belith ou Absinto (Naum 3:4a6);
  • Asmodeu, Moloque ou Sinodai (Apócrifo de Tobias 3:8e17);
  • Lilith ou Quemós (Jeremias 48:7e8);
  • Mamom ou Behemoth (Jó 40:15a18);
  • Leviathan (Jó 41:1a4); e
  • Abbadom, Destruidor ou a Morte (Apocalipse 9:7a11).

Todos esses anjos estão à espera do juízo do Altíssimo, como bem disse Pedro (II Pedro 2:4).

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