Jesus e as impurezas


“E, tendo convocado a multidão, lhes disse: Ouvi e entendei: não é o que entra pela boca o que contamina o homem, mas o que sai da boca, isto, sim, contamina o homem. Não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o ventre e, depois, é lançado em lugar escuso? Mas o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem. Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. São estas as coisas que contaminam o homem;” (Mateus 15:10e11;17a20)

Era uma tradição rabínica antiga em Israel o ato de lavar as mãos sempre antes de comer algo. A maioria da população seguia o que o Mestre Jesus chamou de a “tradição dos homens”. Os discípulos do Cristo foram “pegos” por escribas e fariseus, guardiões das tradições dos anciãos e da “lei de Deus”, comendo sem lavar as mãos. Esses “guardiões da moral e dos bons costumes” indagaram a Jesus o porquê de seus discípulos não respeitarem tais tradições. Jesus os confronta e os chama de hipócritas (Mateus 15:3a9), revelando que eles mesmos não guardavam a lei que eles diziam seguir. O lavar as mãos era um ritual religioso que segundo as “tradições dos homens”, havia virado lei e não poderia ser quebrado. Todo aquele que quebrasse essas regras, era considerado um impuro e alguém que não merecia respeito religioso.

O Mestre Jesus ao ser confrontado pela hipocrisia dos fariseus e escribas de seu tempo, passa a ensinar o povo o que eles precisavam saber sobre o que torna o homem “impuro”. Ele discorre dizendo que não é o que entra por meio da boca que o contamina da maneira ritualística e moralista que acreditavam os fariseus. Esse tipo de contaminação pode se dar por meio de bactérias, mas ela não é capaz de tornar impuro o cerne da natureza humana: o coração. Pelo contrário, o Mestre deixa claro que o que torna o ser “impuro” é o que sai do seu coração. Isso contamina o ser e faz mal para alma!

De maneira quase filosófica, o Mestre ensina que o que está fora é sempre neutro e não causa mal ao homem, mas o que está no coração humano é capaz de carregar a polaridade negativa que mata, que mente, que furta, que destrói vidas e que certamente torna um ser impuro. Seria uma garrafa de wisky um mal? Ou um cigarro? As drogas são neutras ou possuem polaridades “negativas” para uns, “positivas” para outros? Todo “objeto” exterior, sem vida, é neutro! Nem bom, nem mau, nem positivo, nem negativo, nem é pecado e nem um objeto “abençoado”. É certo que nenhum desses “objetos” citados podem fazer mal ao homem, se o homem já não tiver um mal em si mesmo e dessa motivação maldosa, se contaminar. O vício quem tem é o homem e o “objeto” não tem culpa disso, ele é neutro! Não é a droga que droga o homem, mas é o homem que se droga! Isso é simples como o Mestre ensinou! Há uma geração de “drogados” e “contaminados” que nunca experimentaram nenhuma “droga” por aí, mas que vivem a lançar a poluição mais tóxica dos seus corações contra o mundo e as pessoas. “Contaminados e impuros” como os fariseus e escribas estavam pela hipocrisia, pela moral e pela sede de julgar o outro. Condenam como impuro quem bebe sua cerveja ou aprecia o seu vinho, mas vomitam fofocas, dissenções, maledicências e falsos testemunhos contra o próximo, arraigados em seu “moralismo religioso barato e hipócrita” e em suas “tradições humanas” enquanto não exercem a misericórdia, o perdão e o amor.

Anderson Luiz

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