Sobre o ódio


“Se você odeia alguém, é porque odeia alguma coisa nele que faz parte de você. O que não faz parte de nós não nos perturba.” (Hermann Hesse)

O ódio é aquele sentimento primitivo que levou Caim a matar o seu irmão Abel motivado pelo complexo de inferioridade que só existia na cabeça do assassino. Dizem que há uma linha tênue entre o amor e o ódio. Dizem que o ser humano possui na mesma proporção, amor e ódio, visto como antagônicos e as vezes complementares. Será? A força do ódio é destrutiva e a sua embriaguez só cega mentes que não conseguem entender de que fonte ele vem. O ódio é semeado, cultivado e seus frutos são negros e podres, amargos e diabólicos. Quem dele se alimenta, logo vomita! Vomita ódio contra tudo e todos: “deus”, autoridades, seres humanos, céu e inferno são objetos de ódio. É preciso projetar esse ódio que vive em mim em alguém que julgo odioso. Fazendo assim, estarei me livrando desse sentimento, tentando transferir ao outro. Mas não é assim! A semente está lá, naquele lugar… nas entranhas. Só nascendo de novo!

O ódio, a inveja e a ira são amigos de classe! Difícil separá-los. Mas o ódio é cultivado nas sombras, ele é o espia dos justos que espera o seu tombo. O ódio é o poder do inferno que não perdoa um erro, nenhum sequer. O doutrinador de gerações inconformadas que odeiam tudo aquilo que não conseguem enfrentar em si mesmas. O ódio odeia uma opinião contrária e a quem buscar sustentá-la (a opinião) é odiado com a desgraça. Aliás, a desgraça para os odiosos é o pagamento merecido por pensar diferente, por enfrentar com verdade e amor o ódio. O ódio nem sempre tem os seus motivos ancorados no “mal”. Na maioria das vezes ele está impregnado de defesa da “verdade”, da “justiça” e daquilo que o odioso acha que é “bom” para si e para o próximo. Então ele sente ódio daquele que não reza sua cartilha e quer o “mal”. Maldito é sempre o outro diferente de mim! O ódio não aceita “perder”! Ele se ressente da derrota, ele tenta desclassificá-la, ele maquina mil maneiras de vencer aquilo que ele não vence em si mesmo. Cego, o odioso não enxerga a sua chaga. Só tem olhos para o “bode” que ele acredita expiar suas sombras mais obscuras. O ódio é moralista, pois se não o fosse, não teria moral para odiar ninguém. E por causa dessa moral, o ódio se sente no direito de julgar com ódio e desgraças o seu “bode”.

Anderson Luiz

Anúncios

Obrigado pela opinião!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s