Sobre o messianismo


“Minha salvação começa pela consciência de que nada sou e de que nada me é devido.” (Umberto Eco)

Messianismo é uma ideologia que se baseia na esperança de um messias, de um cristo salvador do mundo. A figura de um messias faz parte do inconsciente coletivo da humanidade! Projetamos todas as nossas esperanças em alguém que representa a “salvação”. Claramente se compreende esse fato em um mundo “cão”, injusto, opressor e corrupto. Em um mundo assim, o discurso da “ética” e da “moral” ungido com uma aura de religiosidade, ganha adeptos entre os esperançosos. E a esperança se torna frustração e ódio quando o objeto de projeção (o messias), não alcança a divindade esperada de seus adeptos. E a frustração sempre acontece, já que nenhum humano suporta ser “deus”.

A História está repleta de messianismos! Homens e mulheres se revezavam nessa terrível tarefa de não frustrar as expectativas humanas. O peso insuportável da perfeição, a cobrança calamitosa da “moral e bons costumes”, a veneração desmedida a um ser caído e tido como “salvador”, são capazes de transformar um anjo em diabo. Isso se o ser venerado se acreditar mesmo um “messias”, “providência divina” para mudar o destino de milhares. Há de ser equilibrado diante de tantas projeções! Há de se escolher o caminho do meio no meio de tanta expectativa! Nenhum ser humano que se preze, vive nessa pressão! A História revela que muitos dos “messias” escolhidos pela humanidade não suportaram carregar o peso de uma multidão de expectativas. Tropeçando em sua própria natureza, o “messias” ungido pelo povo, ao cometer um menor erro , é obrigado a sentar no banco dos réus e ser acusado (não do crime cometido), mas do crime que um “deus” não poderia cometer.

O problema maior do messianismo é a frustração! E ela sempre faz parte dessa ideologia que “santifica” o “messias”, já que o “messias” é um humano falho e que sempre falha. Mas a culpa do messianismo, além da culpa que as projeções dos adeptos geram, é daquele que se faz “messias”. Esse com seu discurso “ético” e “moral”, chama para si toda a responsabilidade que só um “deus” poderia suportar. E como o ser humano não é um “deus” (apesar de ser divino) ele acaba acumulando dívidas por não ter sido aquilo que o inconsciente coletivo esperava. Falsos “cristos” que se sabem falhos, mas fazem questão de suprimirem essa falha e destacarem a “aura” de “santo e profeta” que ganharam dos menos sabidos. Seja na política ou na religião, o sentimento “messiânico” sempre está na moda, já que nossa natureza vê “necessidade” em sustentar um “idealismo infantil” e uma “perfeição inalcançável” e projetar isso em alguém, depositando fé cega até o dia da frustração. Sinto informar: esses “salvadores” não existem!

Anderson Luiz

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