Psicologia da guerra


“Se o mundo estiver em guerra com você, a batalha poderá ser tolerável, mas, se você estiver em guerra consigo mesmo, será insuportável. Sem debater com seus inimigos internos, é quase impossível não construir guerras psíquicas ou sobreviver a elas.” (Augusto Cury)

Dá-me uma ideologia bem arquitetada e eu domino o mundo. Para entender as guerras é preciso entender as ideologias. O que é uma ideologia? Segundo a filósofa brasileira Marilena Chaui, ideologia é um mascaramento da realidade social, uma ilusão construída com um fim específico. E o mundo vive regido por ideologias. As ideologias de guerra são as que mais mascaram a realidade e as que mais iludem o ser humano a acreditar naquilo que não é. De onde procedem as guerras senão de nós mesmos? Em nós habitam as guerras? Sim. Onde surge a ideia de diferenças entre “raças”, pois a ciência desmente a existência delas? Onde surge a ideia de defesa da Pátria, da Nação, de um povo, de uma bandeira ou seja lá o que for, senão da nossa cabeça? Onde surge a ideia de superioridade, senão no coração humano?

“Dividir para conquistar” foi o lema que acabou sendo usado pelos exploradores europeus no continente africano. Dividir tribos e nações africanas, separar territórios para que grupos rivais se digladiassem e se enfraquecessem, foi a estratégia de guerra utilizada com vitória pelos europeus. E essa mesma ideologia tem conquistado o mundo! Estamos divididos, perdidos, separados, desconectados interiormente e nem se damos conta disso. Perdemos nossa integridade, deixamos de ser íntegros (inteiros)! Fomos despedaçados pela ideologia e por essa psicologia de guerra que “divide para conquistar”. Perdidos não sabemos nos conectar. Não temos ideia dessa divisão dentro em nós e mal sabemos que estamos aos cacos. Olhamos o mundo aos pedaços e achamos normal. Olhamos o mundo dividido e sempre dividindo, e achamos normal. Ocidente e oriente, norte e sul, capitalistas e socialistas, ricos e pobres, santos e profanos, civilizados e bárbaros, brasileiros, estadunidenses, iranianos, católicos, evangélicos, budistas etc. As guerras procedem dessa divisão ilusória! E essas ideologias vivem dentro de nós!

A pergunta que se faz é: o que faremos se o mundo é assim e nunca deixará de ser? Sim, o mundo é assim e nunca deixará de ser. Antes, há um mundo dentro de nós se despedaçando. Esse sim, é possível salvar. Esse sim é possível que se junte os cacos para mantê-lo inteiro, íntegro. Só depende de nós! É possível pacificar esse mundo em nós e esquecer a ilusão da divisão e das guerras que dela procede. É possível que o nosso olhar seja um reflexo da integridade do nosso coração, que não faz diferença entre as pessoas, tão somente as diferenças que enriquecem a sabedoria divina nas pessoas.

Anderson Luiz

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