Sobre o Trabalho


“Todos vós, que amais o trabalho desenfreado (…), o vosso labor é maldição e desejo de esquecerdes quem sois.” (Friedrich Nietzsche)

Há quem diga que a palavra trabalho deriva do latim “tripalium”. Tripalium era um instrumento de tortura usado pelos romanos contra os seus escravos. Não há nada mais desumano que um “tripalium”, aquele trabalho que é instrumento de tortura da alma humana! Como é torturante seguir regras, cumprir horários, geralmente fazer o que não se tem nenhum prazer em fazer, receber ordens… abençoados são os que fazem o que escolheram fazer e gostam do que fazem. Nenhuma obrigação ele encontra em seu trabalho. Com a maioria não se dá assim! A maioria trabalha obrigada, forçada a pagar contas, a “sustentar” família e a girar a manivela da roda da vida. Certeiro foi Karl Marx quando dizia que o trabalhador não tendo nada e nem meios de sustento, se vê obrigado a vender a única coisa que possui: sua força de trabalho, ou seja, sua alma, seus esforços, sua vontade que se submete a uma vontade maior que é a de seu patrão. Pobre trabalhador!

Diferente de Marx eu não creio que “o trabalho dignifica o homem”. Eu acho que o homem é quem dignifica o seu trabalho, quando esse deixa de ser tortura e passa a ter simetria com a vontade do trabalhador. Não há nada mais angustiante do que a obrigação! E o “desespero humano” de Kierkegaard, podia ser analisado sob a ótica da obrigação que tem o trabalhador, de acordar cedo e fazer o que não quer. Isso é realmente desesperador! É morte em vida! E ninguém entende por que os fins de semana são tão celebrados (isso para quem não trabalha fim de semana), por que os botecos estão tão cheios e por que os vícios imperam na vida de gente boa de Deus nesse mundo de injustiças. Os vícios são “válvulas de escape” para o trabalhador que percebe sua escravidão pós-industrial-moderna-contemporânea-computadorizada. E a ética protestante calvinista tem um pouco de culpa nisso também! É preciso achar um sentido no trabalho para que ele não vire tortura! Não é preciso nem “trabalhar para viver” para não cair no simplismo de achar que o trabalho tem um valor superestimado e nem “viver para trabalhar” como se a vida fosse nesse sentido tão torturante. É preciso mais do que isso! É preciso ver o trabalho como um meio e uma oportunidade única de exercer o sentido de ser humano. Conviver com pessoas diferentes, aprender com o outro, conhecer diferentes pontos de vista, desejar a qualidade de seus colegas de trabalho e repudiar em você mesmo os defeitos dos outros e ajudar de alguma forma, são oportunidades de transformar a tortura em prazer (desculpem, pois é só esse tipo de sentido que eu consigo enxergar no trabalho humano). É difícil achar um sentido em um trabalho “tripalium”, instrumento de tortura dos “romanos” de nossos dias. Mais se não for assim, difícil será não enxergar as correntes disfarçadas na folha de ponto. Que assim seja! Que assim Deus possa dar força para ser!

Anderson Luiz

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