A doença da paixão


“Aquilo que provamos quando estamos apaixonados talvez seja o nosso estado normal. O amor mostra ao homem como é que ele deveria ser sempre.” (Anton Tchekhov)

Eu já sofri muito dessa doença! Sim, paixão é doença! No grego, o termo “pathos” que deu origem a Patologia, significa doença, sofrimento e paixão. A paixão, diferente do amor, sempre nos faz sofrer! O apaixonado sonha acordado e se frustra sempre que os seus sentimentos não são correspondidos. Chora, não dorme, não come, se inquieta loucamente no fogo consumidor da paixão. No amor tudo muda! Tudo é diferente! No amor há paz, há harmonia, confiança, equilíbrio e descanso. Na paixão tudo é fluido, incerto, doentio, compulsivo, histérico. Quem nunca sofreu dessa doença?

Crimes e mais crimes são cometidos diariamente no mundo inteiro. Por amor como dizem por ai? Não, por amor nunca! Crimes passionais, crimes de apaixonados alucinados por esse sentimento pueril, sentimento febril, doença que mais parece uma picada de uma mosca invisível e traiçoeira. O amor gera vida, mas a paixão é capaz de matar! O amor espera, é paciente, mas a paixão quer para logo, é turbilhão de emoções dentro da gente que nos impede de descansar. O amor aquieta, mas a paixão é gritante, histérica e desequilibrada. Paixões são impulsivas, boas somente para as aventuras e produção de adrenalinas e péssimas nos relacionamentos. Só quem gosta de sofrer e estar doente pode sentir-se “bem” na paixão. Paixão é coisa de adolescente, coisa de quem ainda não esta resolvido emocionalmente e não amadureceu na vida. Paixão é algo físico, amor é espiritual! Paixão é alimento da alma humana, amor é divino!

Amor e paixão são primos distantes! Paixão é “Eros”, o deus mitológico retratado sempre infantil, deus da atração física, da união sexual dos opostos e dos iguais. Amor é “Filos”, familiar, amigável e fraternal que constrói estruturas sólidas. Paixão é “Porno” nos seus mais variados estados, nas suas loucuras pornográficas mais doentias e obscenas, nos seus desejos sexuais mais desviados e escandalosos. Amor é “Ágape”, transcendental, puro, numinoso, gratuito e divino. Não tem como se confundir! É enorme a diferença! Mais a confusão esta posta, a mistura se fez e é quase impossível de se explicar que existe uma diferença abismal entre os dois. Paixão é o sentimento mais fraco dos humanos capaz dos crimes mais hediondos! Amor não é sentimento, nunca foi! Amor é prática, ação, manifestação de obras, fruto de um coração cheio de gratidão. A paixão é cega! Ela também cega o apaixonado que pode estar disposto a cometer uma enorme loucura contra o seu objeto de desejo. O amor não mata, da vida! Ele dorme, descansa, se sacia, pacifica, harmoniza e é capaz de suportar as vias mais dolorosas da vida. A paixão é passageira, descartável, medíocre, capaz de armar “arapucas” das mais cruéis. O amor é livre e deixa livre, mas a paixão aprisiona! Ela se enche de ciúmes e de sangue nos olhos quando não conquista seus objetivos. Bom seria se o nosso mundo se enchesse de amor e se esvaziasse de paixão! Bom seria se fossemos orientados pelo amor e não pelas nossas paixões! Mais como cada um tem seu caminho e faz a sua escolha, eu prefiro seguir a trilha do amor do que me enveredar pelo caminho da paixão.

Anderson Luiz

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2 comentários sobre “A doença da paixão

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