As vezes é preciso cair do cavalo


“A grandeza do homem consiste em que ele é uma ponte e não um fim; o que nos pode agradar no homem é ele ser transição e queda.” (Friedrich Nietzsche)

Baseio esse texto no testemunho de Paulo de Tarso. O apóstolo tardio que perseguia os do “caminho”, nome dado aos seguidores de Jesus após a sua morte. Paulo, o homem letrado que antes se chamava Saulo e que estudou aos pés do mestre mais afamado naqueles tempos: Gamaliel. Paulo, nascido da tribo de Benjamim, tribo conhecida na história por ter os maiores e melhores guerreiros entre as tribos de Israel. Esse Paulo que se gabava de ser obediente as leis de seu povo e que pode até ter matado outros que pensavam e queriam viver diferente das “Leis” que defendia. Esse Paulo um dia foi encontrado por Aquele que vai em busca do “perdido”. E nesse encontro Paulo caiu do cavalo, literalmente. Esburrachou-se de cara no pó, ficou cego por três dias, e quando passou a enxergar de novo, passou a enxergar também um mundo novo. Mudaram seus conceitos, sua cosmovisão foi ampliada, de perseguidor foi perseguido, de “dono da verdade” passou a ser escravo da Verdade por amor a ela e de letrado passou a dizer que tudo era considerado como “esterco”.

A experiência histórica de “cair do cavalo” é uma benção! Ignorante é o homem que vê algumas “desgraças” como maldição! Em algum tipo de sofrimento (se não todo) sempre há uma oportunidade de mudar, de crescer, de transformar a mente, de se livrar de correntes invisíveis, de respirar um ar novo… o que é “cair do cavalo”? Para alguns é passar por uma doença, para outros uma “perda”, para os Paulos (cujo nome significa pequeno) pode ser uma grande decepção em relação as suas “certezas”. O “guerreiro” em seu cavalo as vezes não mata o dragão! As vezes basta uma singela luz para lhe derrubar e mostrar o quanto estava cego. Cegueira maior é aquela que se dá no coração e que faz das “certezas” doutrinas frias e petrificadas.

Por esses dias vendo um programa da atriz Cissa Guimarães que perdeu o filho atropelado, mas que não perdeu a fé, fiquei boquiaberto. Ela entrevistava duas figuras públicas que passaram por diferentes tipos de sofrimento. Uma, era um ex-BBB que ficou paraplégico em um acidente e estava encarando a vida fazendo canoagem e chegou a ser campeão mundial em sua modalidade. A atriz lhe perguntou se tinha vontade de voltar ao passado antes do acidente e ele disse que não, pois agora estava enxergando a vida bem melhor e via Deus nas minímas coisas dessa vida. Outro entrevistado, o ator Reynaldo Gianecchini, falava de uma maneira impressionante sobre o crescimento de sua fé e de como sua visão de vida se ampliou depois de ter vencido com a ajuda de Deus, segundo ele, um câncer. Pessoas todos os dias estão a “cair do cavalo” para continuar de pé verdadeiramente! Comendo pó de terra na queda para saber que de pó de terra somos! Ficando cegas para entender que já estavam! Eis as contradições da vida e da existência humana! “Mistérios de Deus” como diria Paulo! E se ainda assim quando “caimos do cavalo”, o orgulho ferido não nos deixa aprendermos uma lição, o testemunho desses ainda servem como lição. Tudo é “bom” aos olhos de quem age com bondade e aos olhos maus, tudo é “desgraça”.

Anderson Luiz

 

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