Triste torcedor fanático


“Do fanatismo a barbárie não há mais do que um passo.” (Diderot)

Sou Flamengo até morrer? Que frase forte que tantas vezes batia no peito e dizia era essa? Hoje nem posso acreditar de como levava isso a sério. Adoro futebol, desde pirralho sempre gostei. Nasci e moro em frente uma praça com um campo e uma quadra de futebol. Lembro-me das vezes que passava o dia jogando bola, e ainda das vezes em que arrancava o tampão do dedo na quadra e continuava “pelando” ainda. Sempre fui um legítimo “fominha”! Mas sinceramente não me lembro de onde veio meu fanatismo pelo Flamengo. Meu avô (que Deus o tenha) que sempre me dava bola de futebol em todo o meu aniversário era um Vascaíno fanático e vivia tentando me convencer a deixar o “Mengo”. Comprava camisa, chaveiro, álbum de figurinha do Flamengo e molecote batia no peito cheio de orgulho: Sou flamengo até morrer!

Ser Flamenguista hoje passou a ser pra mim uma palavra de muito peso. Posso ter uma admiração pelo Flamengo e suas conquistas, mas daí a “ser” flamenguista soa como uma ofensa pra mim. Sem levar em consideração ainda de que não levo nada nesse papel de torcedor fanático que fez parte de mim bom tempo da vida. Podem me chamar de mercenário, mas enquanto os jogadores de futebol ganham uma “baba” eu não ganho nada. E nem sabem que existo.

O “torcer por um time” deixou de ter seu encanto há muito tempo para mim. As brigas de torcidas organizadas foi o motivo primordial de minha decepção como torcedor fanático. Ninguém vai conseguir me convencer de que há motivo para as rivalidades entre torcidas organizadas se digladiarem matando uns aos outros. Isso é tão bárbaro, tão primitivo, tão animalesco que me da vergonha de ser humano quando vejo cenas estúpidas de selvagens “defendendo” seu time. Há torcedores que vivem na mesma proporção de um fanático religioso que é capaz de matar e morrer por sua fé. Pessoas mudam o humor quando seu time do “coração” perde ou quando é zuado por amigos pela má campanha. E não estão levando nada com isso, mas a questão é o orgulho ferido. Orgulho, orgulho um dos sete pecados capitais!

Há muito deixei de “ser flamengo” apesar de amar futebol. Sinto saudade das “peladas”, tenho uma predileção pelo Flamengo, mas daí a mudar meu humor por uma derrota desse time, bater boca com algum vascaíno ou tricolor já é muito pra minha cabeça. Hoje em vez de ser Flamengo até morrer, sou livre desse orgulho até morrer. Viva ao futebol de boa qualidade, morte as torcidas organizadas. Que essas merdas acabem um dia! Um homem virar inimigo do outro por causa de uma camisa é de uma burrice que não tem limites. Menos orgulho mais recreação, apreciação do esporte, ou se não voltaremos a viver as arenas romanas onde gladiadores matavam-se uns aos outros em uma luta bárbara. Que se dane a derrota do Flamengo! A minha preocupação é a minha vitória! O resto, é uma pequena ocupação do meu precioso tempo!

Anderson Luiz

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