Capítulo 9 Características do Anticristo

Depois, se levantará em seu lugar um homem vil, ao qual não tinham dado a dignidade real; mas ele virá caladamente e tomará o reino, com intrigas. As forças inundantes serão arrasadas de diante dele; serão quebrantadas, como também o príncipe da aliança. Apesar da aliança com ele, usará de engano; subirá e se tornará forte com pouca gente. (Daniel11:21a23)

Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus. (II Tessalonicenses2:3e4)

É preciso aqui fazer uma clara distinção entre o falso Cristo e o Anticristo. O primeiro, figura luciferiana, será um apóstata, alguém que poderá usar a fé como um trampolim para ser reconhecido como o Messias e salvador esperado pelo mundo. Ele enganará as religiões e seus adeptos que não discernirão a farsa, e se apresentará como o solucionador dos problemas humanos. Mas o seu fim virá, e ele poderá cair por traição! Na passagem rápida do usurpador pela terra, seu reino conquistado será herdado pela figura enigmática do Anticristo (Apocalipse 13:2). Esse se levanta contra todo o poder, seja na terra, no céu ou embaixo da terra, fazendo da arrogância e da altivez suas armas da batalha. O Anticristo não terá respeito a nenhum deus! Provavelmente irá aparecer no mesmo espaço-temporal da figura luciferiana do falso Cristo e do diabólico usurpador.

O Anticristo será um humano regido por Belial, potestade da guerra e das armas de guerra. Será um filho de Belial (Provérbios 6:12a19)! Nascerá sob o signo de Áries, o qual é regido pelo deus Marte da mitologia romana, que era conhecido como o deus da guerra, das batalhas sangrentas e do militarismo. Na mitologia grega esse “deus” era conhecido como Ares, e era odiado pelos outros deuses por conta de suas intrigas. No Egito antigo era Hórus, o falcão sagrado que em sua luta contra seu tio obscuro Seth, perdeu um dos olhos. Nos mitos nórdicos, Tyr era outra figura do inconsciente coletivo humano equivalente ao deus da guerra. Mas a mitologia da mesopotâmia é quem descreve melhor essa figura enigmática, e pode esclarecer um pouco o seu modo de atuação na terra. Diz o mito que uma deusa de nome Tiamat era imbatível entre os deuses e nenhum deles podia se opor a essa figura. Em uma eleição para ver quem seria capaz de vencê-la, o deus Enki sugeriu que seu filho lutasse. Marduque (também chamado Merodaque) aceitou a proposta, se armou, foi para a batalha contra Tiamat e conseguiu vencê-la, cortando seu corpo gigante ao meio. A partir desse momento, Marduque passou a ser o deus reverenciado como o deus superior a todos os outros deuses na batalha. Enki era uma representação de Satanás enquanto Marduque era a representação de Belial. Essa história se repetirá, conforme lemos no Livro da Revelação:

e adoraram o dragão porque deu a sua autoridade à besta; também adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem pode pelejar contra ela?

Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias e autoridade para agir quarenta e dois meses;

e abriu a boca em blasfêmia contra Deus, para lhe difamar o nome e difamar o tabernáculo, a saber, os que habitam no céu.

Foi-lhe dado, também, que pelejasse contra os santos e os vencesse. Deu-se-lhe ainda autoridade sobre cada tribo, povo, língua e nação; (Apocalipse 13:4a7)

A Besta como ficou conhecido Belial no livro da Revelação, é identificado assim para melhor definir uma fera de natureza selvagem, animalesca e brutal. O instinto selvagem e sanguinolento das feras, estará de volta no período em que essa figura, o Anticristo, governar. Inspirando medo, esse ser vai parecer invencível, por conta de seu poderio militar gigantesco e assombroso. Uma verdadeira máquina de guerra! Despedaçará nações como um lobisomem assustador! O lobo será o seu animal símbolo, justamente por representar a selvageria e a carnificina. Interessante lembrar que o lobo também foi o símbolo da tribo de Benjamim, a tribo mais guerreira da antiga Israel (Gênesis 49:27). Lobos entre os alemães são símbolos do fascismo e da lembrança obscura e vergonhosa que o Nazismo representou. É curioso saber que a famosa música do “lobo mau” era uma das preferidas de Hitler, a figura mais selvagem e sanguinolenta conhecida até hoje no mundo. Além disso, o nome de Adolf Hitler possui essa familiaridade com o lobo. Vejamos:

O nome Adolf origina-se de duas palavras, que significam “nobre lobo”, ou “pai lobo”, e Hitler (assim como as variações do nome usadas por seus antepassados) significa “guardião dos gentios”.

Quanto ao significado do sobrenome Hitler, pouco se pode acrescentar que não seja redundante, visto que Hitler é mais lembrado justamente por suas perseguições aos judeus e seu extermínio em massa, na tentativa furiosa de “proteger os gentios” contra a ameaça judaica”. O nome Adolf, entretanto, não deixa de ser igualmente adequado ao caráter lupino (ou licantrópico) de Hitler, tão famélico – primeiro por comida, depois por leitura e finalmente por poder -, voraz, feroz, solitário, temível e irascível quanto um lobo (em seus últimos dias, quando sua fome de poder não podia mais ser saciada porque ele estava cercado e condenado, voltou a devorar doces e tortas descontroladamente, “como um lobo”).  É igualmente significativo o fato de haver nomeado seu QG na Prússia Oriental de “Covil do Lobo”, seu abrigo em Brûly de Peche de “Toca do Lobo”, seu Bunker na Ucrânia de “Lobisomen”; de ter-se servido por longo tempo do pseudônimo Herr Wolf (Senhor Lobo) e de gostar de referir-se a si mesmo como a um lobo. Por exemplo, a respeito da noite de 24 de fevereiro de 1920, em que apresentara o programa do NSDAP, Hitler declarou:

“Quando encerrei a reunião, não fui o único a pensar que nascera um lobo, destinado a arrojar-se sobre o rebanho dos sedutores do povo.”

Além do nome batismal, Hitler tinha também um nome de crisma: Wolfgang, que significa “como um lobo”. Seus colegas de escola deram-lhe o apelido de Wolf, e foi com o pseudônimo Herr Wolf que ele se apresentou pela primeira vez a Eva Braun, como no conto do Chapeuzinho Vermelho.

Como uma história que se repete (deixando de lado as outras interpretações históricas) na forma de uma espiral, Adolf Hitler pode ter sido a penúltima manifestação do Anticristo que está por vir e seu espírito se apresentará e manifestará certamente mais sangrento e selvagem (Eclesiastes 1:9,10). Há uma rivalidade histórica entre o espírito do Anticristo e os judeus! Certamente pelo motivo dos semitas serem a semente do Cristo de Deus que derrotou e derrotará novamente Belial. Geralmente essa rivalidade vem camuflada como um combate a usura dos judeus (como usou Luís VIII de França e o próprio Hitler). Ou ainda como uma “solução final” que visava exterminar uma raça vista como inferior e diabólica, como se viu na Alemanha nazista.

Há na crença dos árabes a história de uma figura sombria e obscura, que segundo a lenda, se apresentará ao mundo e será reconhecido por seus seguidores pelo sinal de um de seus olhos danificado (ver Zacarias 11:17). Essa figura chamada Dijjal ou Dajjal,  é uma figura maligna da escatologia islâmica que se opõe a Cristo. Essa crença está baseada em eventos antes do Dia Final, perto da segunda vinda do Cristo de Deus, quando al-Dajjal, que terá seu olho direito cego, reunirá um exército formado por aqueles que foram enganados, contra o exército dos justos liderados por Cristo. Não há como não nos remetermos a mitologia egípcia e ao olho de Udjat, símbolo místico que representa o olho do deus falcão Hórus que foi perdido na batalha contra Seth. Esse símbolo é atualmente o mais popularizado no mundo entre artistas, místicos e ocultistas. Em jornais, revistas, nos anúncios da televisão, nas apresentações musicais e na maior parte das nações, o olho de Hórus (Udjat) se popularizou como símbolo de poder e proteção. Existe um grupo que já prepara a sua vinda e dissemina pelos meios de comunicação a sua ideologia.

Adolf Hitler, que inventou uma determinada “raça ariana”, raça essa que segundo ele era de homens fortes, bravos e superiores aos outros, se encaixou em muitas profecias bíblicas (principalmente as de Daniel, o profeta), quando essas profecias se referiam ao Anticristo, ou como chamou Daniel: “o Abominável da desolação”. Hitler foi um homem vil e sem dignidade real alguma, chegou ao poder por meio de golpes, trapaças e intrigas, como quando mandou botar fogo no Parlamento alemão (Reichstag) e acusou os Comunistas de o terem feito (Daniel 11:21). Ele era menosprezado, nunca foi bom aluno, sua veia artística foi rejeitada e no início de sua liderança seus súditos e seguidores eram vagabundos. Não veio de linhagem importante e não tinha nenhuma “dignidade real”! Quando chegou ao poder, toda força contrária (oposição) ao seu pensamento e ideologia, era quebrantada, destruída (Daniel 11:22). Nas suas conquistas, repartia sempre os despojos com seus generais  e era ambicioso em querer conquistar as poderosas fortalezas da época, fortalezas essas representadas pela antiga URSS e a Inglaterra (Daniel 11:24). O culto a vontade era sua religião (o VRIL), a arrogância e a insolência da sua oratória era sua pregação, junto de uma misoginia que inferiorizava as mulheres e fazia com que sua “amada” Eva Braun fosse só um objeto decorativo em uma Alemanha cristã e moralista (Daniel11:36,37). Alguns nomes que identificam essa figura sombria: Abominável da desolação, o iníquo, o assírio, filho de Belial, homem da iniquidade, filho da perdição, a Besta da terra, o ariano, entre inúmeros outros ao longo da história.

Segundo as características que podemos identificar em Hitler e no “abominável da desolação” do livro do profeta Daniel e de outras passagens das Escrituras, o Anticristo:

* Será um ariano, nascido sob o signo de Áries, cujo regente é o deus da guerra Marte.

* Talvez um defensor do militarismo, um sobrevivente de guerras, uma figura bastante disciplinada, estrategista e defensora da ordem e de princípios morais, como a família e os bons costumes. Um típico “cidadão de bem”.

* Terá uma oratória capaz de hipnotizar multidões e seu discurso saberá tocar na fraqueza das pessoas. Será um típico oportunista mau-caráter, como um lobo disfarçado de ovelha. (Mateus 7:15,16)

* Poderá chegar ao poder máximo da nação com um golpe de Estado e com intrigas palacianas. (Daniel 11:21)

* Fará brotar novamente a semente do Fascismo, talvez um Neonazista que irá procurar um “bode expiatório” para fazer recair suas frustrações.

* Será um adepto de alguma seita que cultue “a vontade”. Talvez um Thelemita ou um iniciado em alguma seita de mistérios em que “a vontade” seja a lei. (Daniel 11:36)

* Possivelmente um machista, com suas ideias da superioridade e força do homem de sua nacionalidade. Provavelmente um misógino, inferiorizando as mulheres, não as dando a atenção merecida. (Daniel11:37)

* Provavelmente um patriota e nacionalista doentio, que fomentará um discurso de proteção a sua nação escolhida contra os infortúnios de estrangeiros e estranhos.

* É um verdadeiro semeador de intrigas mundo a fora, colocará nação contra nação e irmão contra irmão. Um ser belicoso, perigoso e selvagem! (Provérbios 6:12a19)

* Será um gênio estrategista que vai brincar de dividir parte do mundo e de seus domínios entre seus generais, mas o seu fim virá de maneira surpreendente. (Daniel 11:39a45)

* É provável que ele seja um higienista, que celebre a saúde e abomine a doença. Qualquer impedimento para o seu “homem novo”, poderá ser objeto de sua reprovação e perseguição. Minorias, deficientes (mesmo ele sendo possivelmente um monocular?), homossexuais e outras etnias que não se encaixem na definição de “homem novo” do Anticristo, sofrerão a sua reprovação e quem sabe sua perseguição.

* Será um antissemita latente, poderá deixar que isso fica patente depois de um período, mas no primeiro momento fará uma aliança de proteção aos judeus e os enganará perfeitamente. Provavelmente por um período de 3 anos e meio ele enganará a cúpula de Israel, mas entre os judeus, milhares não se dobrarão a ele. Esses serão mortos a espada, entrarão em cativeiro e passarão pelo fogo. (Daniel11:32a35)

* Nascerá possivelmente em uma colônia de algum país poderoso. Há uma possibilidade da Alemanha ou os EUA ser a nação de seu poder, por conta do poderio bélico dessas nações. A águia será o seu símbolo de poder e por isso é preciso ficar atento a esses dois países que tem a águia como insígnia.

* Ele será o ator da pior cena que ficará registrada na história. Sua invasão a Jerusalém, depois de rompida sua aliança de proteção aos judeus, virá seguida de uma carnificina nunca antes imaginada e só contada em mitos de lobisomens que rasgam os ventres das grávidas, na pior das crueldades humanas já presenciadas. Foi Jesus quem advertiu os judeus desse episódio sórdido. (Lucas 21:20a24)

* Será um inimigo dos judeus de uma maneira ainda pior do que Antíoco Epífanes foi e o próprio Hitler também. Será um profano e um blasfemo em Israel e não respeitará o Judaísmo.

Sobre o valor

A vida é para nós o que concebemos dela. Para o rústico cujo campo lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida. (Fernando Pessoa)

O valor é relativo! Sempre relativo e nunca absoluto! Que medida, largura, importância, hora trabalhada e esforço feito pode estipular um valor justo? O valor é uma construção humana! Inúmeros são os fatores que nos levam a estipular um valor. Valorizamos muitas coisas na vida e essa valorização das coisas está em sintonia com a multifacetada experiência de vida humana. Para alguns, valorizar dinheiro e quem o tem são aspectos primordiais da vida. Para outros, os valores são abstratos! Basta uma boa amizade, o amor familiar e a conservação de princípios tidos como “valorosos”. O valor se relativiza na mesma medida que a experiência humana se relativiza. Cada um com seu valor! Cada um com suas prioridades! Bens materiais, experiências sexuais, liberdade, carinho, amizades, dinheiro, poder, cada qual valoriza mais o que quer valorizar. Tem gente até que não valoriza nada nessa vida e não sabe o valor que tem! Outros se supervalorizam demais, pensam de si mais do que devem pensar e pagam caro para viver mediante seus valores. Uns creem não valer nada, outros estão dispostos a colocar seu valor a venda. Como medir? Como precificar? Relativo, tudo relativo! De que vale ser bem sucedido, ter bens materiais, fazer sucesso, ganhar muito dinheiro, morar bem e viver uma vida solitária e triste? Valorizar riquezas somente, basta? Por que importa mais ganhar o mundo enquanto se perde a alma? Abandonar princípios, esquecer amigos, se fechar sentimentalmente e cultivar a frieza que a valorização de um mundo competitivo traz, é a desintegração do Ser e a morte da alma. Quais valores realmente importam? Os do coração ou os que os olhos veem? Na vida há valores impagáveis: boas risadas com bons amigos, conversas profundas com gente interessante e inteligente, família unida de verdade, o vigor da juventude, a primeira paquera e muitos outros. Não estou a dizer que tudo o que foi citado não tenha o seu valor relativo, mas devíamos refletir no que realmente importa. Devíamos refletir no que realmente deveria ser nossa prioridade, o “valor principal”. Sem dúvida essa reflexão nos revelaria que o que valorizamos demais na vida, talvez nem deva receber tanto valor assim e certamente o que desvalorizamos em nossas experiências é o que realmente importa para se viver em plenitude.

 Anderson Luiz

Sobre o pensar

Pensar é o trabalho mais difícil que existe. Talvez por isso tão poucos se dediquem a ele. (Henry Ford)

Pensar dá trabalho! Em um mundo automatizado, onde o comodismo domina e a praticidade aliena, o ser humano que gasta tempo pensando é um problema sério. Num “mundo novo” e proativo, neoliberal e que supervaloriza a ação, a mobilidade e a rapidez, o ser humano que para para refletir é um peso morto. Produtividade, eficiência, eficácia, são palavras que não se encaixam no estilo de vida de um pensador. E nessa “nova era”, os pensadores são tidos como improdutivos, pois reflexão e pensamento não se podem medir, quantificar e nem se inserir em quadros estatísticos. Morte aos filósofos e sociólogos e suas disciplinas improdutivas, pensam eles.

E o ato dessa “vagabundagem” e “vadiagem” do pensar e refletir a cada dia que passa se torna ainda mais revolucionário! É por que pensar dá trabalho em um mundo pronto e acabado. As facilidades nem sempre alienam, mas em boa parte das vezes, sim. Os jogos eletrônicos viciam a mente para obedecer somente comandos. Brinquedos tecnológicos domesticam, conformam e transforma corpos para a disciplina e para a docilidade. É a lógica da passividade que não reflete, ou seja, não reage a uma ação pensando (pensar é uma ação?). Parar, respirar, gastar tempo olhando para o nada sem estar conectado a internet, mas procurando se conectar com o Universo que somos, é um ato revolucionário em nossos dias. Pensar dá trabalho, muito trabalho! Fobias e fobias, ansiedades, neuroses e mais neuroses podem ser curadas com descanso, com ócio sem culpa, com leituras que levem a reflexão. Pensar diferencia na maioria das vezes, o pensador das “doxas” (opiniões) da maioria. Isso exclui, isola e afasta o pensador! Em um mundo “globalizado”, quem quer pagar o preço de viver isolado? Quem quer se submeter a esse esforço já que é mais fácil seguir o fluxo, ir na mesma correnteza que o pensamento “moderno”? Sejamos revolucionários! Vamos parar para pensar e refletir um pouco mais sobre isso?

Anderson Luiz

Jesus e sua autoridade

Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina; porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas.” (Mateus 7:28e29)

Depois de ensinar as multidões mais uma vez, o Mestre foi reconhecido por sua autoridade. Diferente do ensino dos escribas, o ensino do Mestre era a simbiose da teoria com a práxis. Os escribas eram conhecidos como aqueles que decodificavam as antigas escrituras, faziam cópias dela e as interpretava. Dessa maneira, os escribas adquiriram conhecimento acerca da Lei e dos Profetas e por esse conhecimento eram chamados também de “mestres e interpretes da lei”. A multidão notou logo a diferença do ensino dos escribas e do ensino de Jesus. Os escribas tinham o conhecimento, eram letrados, mas o seu ensino era baseado em teorias, em letras. Cristo era a encarnação do Verbo, do Logos divino, o espírito e a essência de tudo que se diz, de toda boa palavra que se põe em prática.

Quando a Escritura diz que “as multidões ficaram maravilhadas, pois que ele ensinava como quem tem autoridade para ensinar”, o que se queria dizer é que o Cristo de Deus vivia e praticava tudo aquilo que ensinava. Por isso, tinha toda a autoridade para ensinar. O povo percebia o vazio das palavras de alguns fariseus e escribas, que sem moral e autoridade para ensinarem, insistiam em fazê-lo sem darem testemunhos daquilo que diziam. Um pouco antes da multidão ficar “maravilhada” com o ensino do Mestre, ele havia dito que aquele que ouve suas palavras e as pratica, é comparado ao homem que edifica a casa sobre a rocha. A autoridade só é construída sobre a solidez e firmeza de uma vida que sabe aliar a teoria com a prática. É imprudente tentar praticar o ensino do Mestre sem aprendizado, sem teoria, sem um estudo aprofundado, sem buscar interpretar ou decodificar sua mensagem. Não dá para partir para a ação sem organização, sem conhecimento de direção. Também é inócuo se encher de conhecimento e teoria e não dar frutos, não gerar vida e para a vida, não exercer a práxis que é uma ação concreta onde literalmente o verbo se encarna e toma forma. Jesus, mais que um conhecedor das Escrituras, era um sábio que pôs em prática o espírito, a essência dela. A sabedoria é a fusão do conhecimento e a prática! Não foi difícil para as multidões identificarem autoridade no Cristo de Deus, pois o que observavam nele não era a demagogia dos políticos e nem a hipocrisia dos religiosos, era a vida natural que fluía de seu ser e que o diferenciava dos que vieram antes dele e que o diferenciará dos que posteriormente virão.

Anderson Luiz

Capítulo 8 Características do usurpador

Capítulo 8

Características do usurpador

Por isso, festejai, ó céus, e vós, os que neles habitais. Ai da terra e do mar, pois o diabo desceu até vós, cheio de grande cólera, sabendo que pouco tempo lhe resta. (Apocalipse12:12)

Levantar-se-á, depois, em lugar dele, um que fará passar um exator pela terra mais gloriosa do seu reino; mas, em poucos dias, será destruído, e isto sem ira nem batalha. (Daniel 11:20)

Essa figura sombria, de reinado rápido na terra, que foi revelada ao profeta Daniel, é um ser humano regido por Satanás. Provavelmente ele será da família do falso cristo ou será um subordinado de sua inteira confiança. Essa história é antiga e já foi reproduzida em inúmeros mitos e lendas. Aqui se trata do usurpador! Ele será um traidor, de índole maligna e promovedor de violências e intrigas em todo o mundo. Dono de uma ira satânica, esse ser será do signo de capricórnio, o qual é regido por Saturno. Saturno para os gregos era um “deus” temido porque devorava os seus próprios filhos assim que nasciam, com o medo de que eles crescessem e lhe tomassem o trono. Na mitologia, foi ele quem destronou seu pai Urano (representação luciferiana) por inveja. Foi por inveja também que na mitologia egipcia, Seth, o “deus” das trevas e do deserto, destronou Osíris (representação luciferiana), seu irmão. No mito germânico, ele era Loki, o ardiloso que tramou a morte de Balder (representação luciferiana) e acabou com seu reinado. Entre inúmeros outros mitos que narram uma história parecida, há também o conto do rei Arthur que foi traído pelo seu fiel escudeiro Mordred. Diz a lenda que o rei Arthur tinha saído para guerrear longe de suas terras e deixou Mordred para proteger o reino e sua esposa. Mordred se aproveitou da ausência do rei e se autoproclamou rei, usurpando o poder que não era seu e traindo o rei Arthur. Curioso é quando o profeta Daniel relata que o primeiro rei (o falso cristo) depois de estar longe, “voltará para as fortalezas da sua própria terra; mas tropeçará, e cairá, e não será achado” (Daniel11:19). Logo se levantará em seu lugar o usurpador que governará em poucos dias (Daniel11:20).

Assim na terra como foi no céu, Satanás cairá como um relâmpago (Lucas10:18) e seu homem escolhido ajuntará o mundo contra os que tem o testemunho de Jesus, sabendo que pouco tempo lhe resta (Apocalipse12:17). Devorará toda a terra, saqueará suas riquezas e entesourará cruelmente aquilo que não é seu por direito. Será uma espécie de Judas que entrega inocentes e justos a troco de moedas de ouro. Não a toa, o Cristo eterno disse que Satanás dominou Judas que o traiu (Lucas22:3e4). É essencialmente um traidor! Poderá haver no seu tempo uma grande perseguição aos cristãos e aqueles que professam a Jesus como o Cristo. Uma trama e conspiração política sinistra também acontecerá sobre sua influência. Em sua época, muito sangue inocente será derramado. Ele é o quarto animal misterioso do livro de Daniel, o qual já relatamos aqui. Essa figura também foi descrita pelo profeta Habacuque. Vejamos:

Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé. Assim como o vinho é enganoso, tampouco permanece o arrogante, cuja gananciosa boca se escancara como o sepulcro e é como a morte, que não se farta; ele ajunta para si todas as nações e congrega todos os povos. Não levantarão, pois, todos estes contra ele um provérbio, um dito zombador? Dirão: Ai daquele que acumula o que não é seu (até quando?), e daquele que a si mesmo se carrega de penhores! Não se levantarão de repente os teus credores? E não despertarão os que te hão de abalar? Tu lhes servirá de despojo. Visto como despojaste a muitas nações, todos os mais povos te despojarão a ti, por causa do sangue dos homens e da violência contra a terra, contra a cidade e contra todos os seus moradores. (Habacuque2:4a8)

O homem sob o signo de capricórnio, signo esse conhecido pela ambição desmedida e pela ânsia de poder, “fará passar um exator pela terra mais gloriosa do seu reino” (Daniel11:20). E o que isso significa? Significa que esse homem será adepto de uma política de cortes de gastos, de acumulação do tesouro que se dará pelo aumento excessivo dos impostos e também de invasões a outras terras. Uma cobrança de impostos indevida e abusiva, com toda certeza levantará um rebelião e violência em seu governo, o que ele poderá reprimir com mãos de ferro. Ele será um ditador e tirano, que não aceitará discordâncias e em seu domínio, o terror e o medo reinarão. Muitas riquezas serão acumuladas nessa época e ele será uma espécie de fiscal do mundo. Cobrará baseado em leis e endurecerá contra aqueles que não obedecerem aquilo que ele tem por “justiça”. Esse homem será um justiceiro, daqueles que no estilo Robespierre da Revolução Francesa, perseguirá inimigos e amigos, trazendo o terror para a terra. Sua política será conservadora, autoritária e rígida para com todos. Bem ao estilo João sem terra, ele agirá usurpando aquilo que não é seu por direito. Mas afirmará sempre que seu direito é legítimo, mas será um grande engano. É um traidor! Essa é sua essência!

João sem terra ou João de Inglaterra, era irmão de Ricardo coração de leão que se tornou rei em 1189. João era o irmão mais novo e herdeiro em potencial. Por várias vezes chegou a querer usurpar o trono de seu irmão causando rebeliões. Depois da morte de Ricardo, seu irmão, foi proclamado rei. Passou parte de seu governo arrecadando enormes receitas, reforçando as forças armadas e fazendo alianças. Enfrentou grandes rebeliões por conta de suas políticas fiscais, promoveu reformas judiciais e elaborou a famosa “Magna Carta”. João morreu de disenteria em 1216. Foi destruído, “sem ira e nem batalha”. É de tamanha estranheza os países nórdicos hoje serem os países que tem as maiores taxas tributárias do mundo. É de lá que o usurpador começará a dominar!

Cronos era o tempo, donde deriva a palavra cronologia. Na mitologia persa, na religião chamada mitraísmo, Zurvan era o “deus” do tempo. Suas características eram as mesmas de Cronos. Interessante é que o “tempo inglês” é uma característica forte na população inglesa. Como símbolo, Londres nos apresenta o Big Ben, uma torre do relógio cartão postal da cidade. Poderá surgir naquele país um típico inglês conservador e tirano, o famoso usurpador? Ele não é o leão, já vimos quem é esse! Ele será representado pelo dragão vermelho descrito no Apocalipse (Apocalipse12:3e4). Ele é o quarto animal não identificado pelo profeta Daniel (Daniel7:7). Curioso saber que o dragão vermelho está na bandeira do país de Gales, na Grã-Bretanha e foi colocado no escudo real da Inglaterra por Henrique VII. Durante o reinado dos monarcas Tudor, o dragão vermelho foi usado no brasão de armas da coroa inglesa ao lado do tradicional leão inglês. É o dragão vermelho, o grande usurpador, quem entregará o seu poder, trono e autoridade ao Anticristo (Apocalipse 13:2) que governará o mundo logo depois dele como veremos no próximo capítulo.

Mentalidade empresarial

O capitalismo sabe corromper aqueles que deseja destruir.” (Emma Goldman)

O mundo se tornou uma gigantesca empresa! Uma transnacional! A mentalidade gerencial tomou conta de todos os setores e de todos os aspectos da vida humana: políticos, econômicos, culturais e sociais. Nas igrejas obrigadas a ter um CNPJ e no discurso dos líderes religiosos, o mercado da fé é grande. Grandes negócios, grandes igrejas! O ser humano é visto como um potencial consumidor, um cliente… um capital humano. Somos números e quanto mais numerosos, mais lucros daremos. O dinheiro e o mercado são os novos deuses deste século! Meritocracia, estratégia, planejamento, metas, todo um discurso empresarial dominando o sistema educacional. Gerentes, economistas, administradores como secretários de educação nos Estados do país. Alguém pode explicar? É a mentalidade empresarial que se instalou em nós e nesse mundo! Salve-se quem puder!

A vida humana sendo negociada nas redes sociais, através de um “nudes” e de um relacionamento líquido, como sustenta Zygmunt Bauman. No Congresso, políticos desonestos a barganhar com empresas, empreiteiros e acionistas. Em todo setor público, um forte lobby para que se torne privado e fonte de lucro para poucos. É a mentalidade gerencial! Na música, o que se vende é o que a demanda deseja receber e não o que o músico deseja doar. Nas artes, o que as valoriza é o dinheiro, a oferta. Fomos postos a venda, todos nós! Em feira livre, no sacolão da esquina, em todos os lugares se encontra gente que tem preço! Quanto vale a vida? Nem nos damos conta, mas nossa mente vem sendo formada e forjada! É mais importante hoje ser um cliente, um cidadão de direitos do que se entender um ser humano que ninguém e nem nada é capaz de comprar. De que adianta gerenciar o mundo como uma empresa e perder sua humanidade? Se perder de si mesmo e viver de ganhar e lucrar? Até nas comunidades menos favorecidas, a mentalidade empresarial domina! Chefes e gerentes do tráfico são a prova de que o mundo tem se tornado uma multinacional! É o capitalismo! Um grande pecado capital! E eu aqui na luta para que minha mente não se transforme em uma propriedade privada.

Anderson Luiz

Os excluídos

A assunção de nós mesmos não significa a exclusão dos outros.” (Paulo Freire)

Eles são muitos! São a base da “pirâmide social”! Favelados, drogados, perseguidos pela cor, pela forma, pela vestimenta, pela região onde nasceram e pela opinião. São os descrentes e mesmo os crentes sinceros. Operários, pouco instruídos, intelectuais que se voltam contra o “status quo”, homossexuais, nativos, injustiçados e excluídos dos melhores lugares da mesa farta do mundo. Doentes, loucos e presidiários, que na visão de Foucault estão sendo “disciplinados” fisicamente. Excluídos que não recebem um convite sequer para participar da festa regada a vinho e alegria, privilégio da minoria.

A exclusão é uma construção histórica e diabólica! É um castigo similar ao dos “escravos” egípcios que passaram anos construindo o túmulo (pirâmide) dos reis “semi-deuses”. É a condição humana que recebe variados nomes na história: plebeus, o povo, o terceiro estado, sans-culottes, os párias, o proletariado, as classes subalternas, …vagabundos, escória, raça desprezível e imunda. Desde a confusão que se fizeram para ratificar uma ideologia política-econômica, o liberalismo clássico do “laissez faire”, tomando o darwinismo como um exemplo, a coisa piorou. A ideia de um “darwinismo social” onde os mais fortes e mais aptos tendem a vencer, pois é parte da natureza humana e animal, é um engodo. A ideia do mérito, da individualidade forte que sobressai as demais e de que a fraqueza e a exclusão de uma maioria é natural, fruto e culpa de uma natureza fraca e predestinada a predação, é uma artimanha. É o capitalismo selvagem! É a síndrome de Lúcifer! É a ideologia da aristocracia, da oligarquia e da plutocracia! É a mentalidade de uma elite privilegiada e “escolhida”, que vê os excluídos como moscas e anseiam por uma higienização social o mais rápido possível. Não sentem pena, não são capazes de enxergar a injustiça, a frieza os congelou o coração a ponto de aceitar a predação humana como natural. O mundo é um reino animal, eles pensam. Competição, predação e egoísmo! Nada de cooperação, companheirismo e apatia! Qualquer sinal de solidariedade no mundo recebe a pecha de “comunismo” e é execrado! Afinal, todos tem o que merecem! Não conhecem a ética, são amantes da vaidade, mentirosos profissionais, impiedosos desde que os “fins venham a justificar os seus meios” ardilosos e diabólicos. E nessa escalada ao céu, ao topo da pirâmide, vale tudo. Eis que chegará o fim! O abismo anda farto! Até as estrelas se tornam cadentes e morrem!

Anderson Luiz