Sobre o pensar

Pensar é o trabalho mais difícil que existe. Talvez por isso tão poucos se dediquem a ele. (Henry Ford)

Pensar dá trabalho! Em um mundo automatizado, onde o comodismo domina e a praticidade aliena, o ser humano que gasta tempo pensando é um problema sério. Num “mundo novo” e proativo, neoliberal e que supervaloriza a ação, a mobilidade e a rapidez, o ser humano que para para refletir é um peso morto. Produtividade, eficiência, eficácia, são palavras que não se encaixam no estilo de vida de um pensador. E nessa “nova era”, os pensadores são tidos como improdutivos, pois reflexão e pensamento não se podem medir, quantificar e nem se inserir em quadros estatísticos. Morte aos filósofos e sociólogos e suas disciplinas improdutivas, pensam eles.

E o ato dessa “vagabundagem” e “vadiagem” do pensar e refletir a cada dia que passa se torna ainda mais revolucionário! É por que pensar dá trabalho em um mundo pronto e acabado. As facilidades nem sempre alienam, mas em boa parte das vezes, sim. Os jogos eletrônicos viciam a mente para obedecer somente comandos. Brinquedos tecnológicos domesticam, conformam e transforma corpos para a disciplina e para a docilidade. É a lógica da passividade que não reflete, ou seja, não reage a uma ação pensando (pensar é uma ação?). Parar, respirar, gastar tempo olhando para o nada sem estar conectado a internet, mas procurando se conectar com o Universo que somos, é um ato revolucionário em nossos dias. Pensar dá trabalho, muito trabalho! Fobias e fobias, ansiedades, neuroses e mais neuroses podem ser curadas com descanso, com ócio sem culpa, com leituras que levem a reflexão. Pensar diferencia na maioria das vezes, o pensador das “doxas” (opiniões) da maioria. Isso exclui, isola e afasta o pensador! Em um mundo “globalizado”, quem quer pagar o preço de viver isolado? Quem quer se submeter a esse esforço já que é mais fácil seguir o fluxo, ir na mesma correnteza que o pensamento “moderno”? Sejamos revolucionários! Vamos parar para pensar e refletir um pouco mais sobre isso?

Anderson Luiz

Jesus e sua autoridade

Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina; porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas.” (Mateus 7:28e29)

Depois de ensinar as multidões mais uma vez, o Mestre foi reconhecido por sua autoridade. Diferente do ensino dos escribas, o ensino do Mestre era a simbiose da teoria com a práxis. Os escribas eram conhecidos como aqueles que decodificavam as antigas escrituras, faziam cópias dela e as interpretava. Dessa maneira, os escribas adquiriram conhecimento acerca da Lei e dos Profetas e por esse conhecimento eram chamados também de “mestres e interpretes da lei”. A multidão notou logo a diferença do ensino dos escribas e do ensino de Jesus. Os escribas tinham o conhecimento, eram letrados, mas o seu ensino era baseado em teorias, em letras. Cristo era a encarnação do Verbo, do Logos divino, o espírito e a essência de tudo que se diz, de toda boa palavra que se põe em prática.

Quando a Escritura diz que “as multidões ficaram maravilhadas, pois que ele ensinava como quem tem autoridade para ensinar”, o que se queria dizer é que o Cristo de Deus vivia e praticava tudo aquilo que ensinava. Por isso, tinha toda a autoridade para ensinar. O povo percebia o vazio das palavras de alguns fariseus e escribas, que sem moral e autoridade para ensinarem, insistiam em fazê-lo sem darem testemunhos daquilo que diziam. Um pouco antes da multidão ficar “maravilhada” com o ensino do Mestre, ele havia dito que aquele que ouve suas palavras e as pratica, é comparado ao homem que edifica a casa sobre a rocha. A autoridade só é construída sobre a solidez e firmeza de uma vida que sabe aliar a teoria com a prática. É imprudente tentar praticar o ensino do Mestre sem aprendizado, sem teoria, sem um estudo aprofundado, sem buscar interpretar ou decodificar sua mensagem. Não dá para partir para a ação sem organização, sem conhecimento de direção. Também é inócuo se encher de conhecimento e teoria e não dar frutos, não gerar vida e para a vida, não exercer a práxis que é uma ação concreta onde literalmente o verbo se encarna e toma forma. Jesus, mais que um conhecedor das Escrituras, era um sábio que pôs em prática o espírito, a essência dela. A sabedoria é a fusão do conhecimento e a prática! Não foi difícil para as multidões identificarem autoridade no Cristo de Deus, pois o que observavam nele não era a demagogia dos políticos e nem a hipocrisia dos religiosos, era a vida natural que fluía de seu ser e que o diferenciava dos que vieram antes dele e que o diferenciará dos que posteriormente virão.

Anderson Luiz

Capítulo 8 Características do usurpador

Capítulo 8

Características do usurpador

Por isso, festejai, ó céus, e vós, os que neles habitais. Ai da terra e do mar, pois o diabo desceu até vós, cheio de grande cólera, sabendo que pouco tempo lhe resta. (Apocalipse12:12)

Levantar-se-á, depois, em lugar dele, um que fará passar um exator pela terra mais gloriosa do seu reino; mas, em poucos dias, será destruído, e isto sem ira nem batalha. (Daniel 11:20)

Essa figura sombria, de reinado rápido na terra, que foi revelada ao profeta Daniel, é um ser humano regido por Satanás. Provavelmente ele será da família do falso cristo ou será um subordinado de sua inteira confiança. Essa história é antiga e já foi reproduzida em inúmeros mitos e lendas. Aqui se trata do usurpador! Ele será um traidor, de índole maligna e promovedor de violências e intrigas em todo o mundo. Dono de uma ira satânica, esse ser será do signo de capricórnio, o qual é regido por Saturno. Saturno para os gregos era um “deus” temido porque devorava os seus próprios filhos assim que nasciam, com o medo de que eles crescessem e lhe tomassem o trono. Na mitologia, foi ele quem destronou seu pai Urano (representação luciferiana) por inveja. Foi por inveja também que na mitologia egipcia, Seth, o “deus” das trevas e do deserto, destronou Osíris (representação luciferiana), seu irmão. No mito germânico, ele era Loki, o ardiloso que tramou a morte de Balder (representação luciferiana) e acabou com seu reinado. Entre inúmeros outros mitos que narram uma história parecida, há também o conto do rei Arthur que foi traído pelo seu fiel escudeiro Mordred. Diz a lenda que o rei Arthur tinha saído para guerrear longe de suas terras e deixou Mordred para proteger o reino e sua esposa. Mordred se aproveitou da ausência do rei e se autoproclamou rei, usurpando o poder que não era seu e traindo o rei Arthur. Curioso é quando o profeta Daniel relata que o primeiro rei (o falso cristo) depois de estar longe, “voltará para as fortalezas da sua própria terra; mas tropeçará, e cairá, e não será achado” (Daniel11:19). Logo se levantará em seu lugar o usurpador que governará em poucos dias (Daniel11:20).

Assim na terra como foi no céu, Satanás cairá como um relâmpago (Lucas10:18) e seu homem escolhido ajuntará o mundo contra os que tem o testemunho de Jesus, sabendo que pouco tempo lhe resta (Apocalipse12:17). Devorará toda a terra, saqueará suas riquezas e entesourará cruelmente aquilo que não é seu por direito. Será uma espécie de Judas que entrega inocentes e justos a troco de moedas de ouro. Não a toa, o Cristo eterno disse que Satanás dominou Judas que o traiu (Lucas22:3e4). É essencialmente um traidor! Poderá haver no seu tempo uma grande perseguição aos cristãos e aqueles que professam a Jesus como o Cristo. Uma trama e conspiração política sinistra também acontecerá sobre sua influência. Em sua época, muito sangue inocente será derramado. Ele é o quarto animal misterioso do livro de Daniel, o qual já relatamos aqui. Essa figura também foi descrita pelo profeta Habacuque. Vejamos:

Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé. Assim como o vinho é enganoso, tampouco permanece o arrogante, cuja gananciosa boca se escancara como o sepulcro e é como a morte, que não se farta; ele ajunta para si todas as nações e congrega todos os povos. Não levantarão, pois, todos estes contra ele um provérbio, um dito zombador? Dirão: Ai daquele que acumula o que não é seu (até quando?), e daquele que a si mesmo se carrega de penhores! Não se levantarão de repente os teus credores? E não despertarão os que te hão de abalar? Tu lhes servirá de despojo. Visto como despojaste a muitas nações, todos os mais povos te despojarão a ti, por causa do sangue dos homens e da violência contra a terra, contra a cidade e contra todos os seus moradores. (Habacuque2:4a8)

O homem sob o signo de capricórnio, signo esse conhecido pela ambição desmedida e pela ânsia de poder, “fará passar um exator pela terra mais gloriosa do seu reino” (Daniel11:20). E o que isso significa? Significa que esse homem será adepto de uma política de cortes de gastos, de acumulação do tesouro que se dará pelo aumento excessivo dos impostos e também de invasões a outras terras. Uma cobrança de impostos indevida e abusiva, com toda certeza levantará um rebelião e violência em seu governo, o que ele poderá reprimir com mãos de ferro. Ele será um ditador e tirano, que não aceitará discordâncias e em seu domínio, o terror e o medo reinarão. Muitas riquezas serão acumuladas nessa época e ele será uma espécie de fiscal do mundo. Cobrará baseado em leis e endurecerá contra aqueles que não obedecerem aquilo que ele tem por “justiça”. Esse homem será um justiceiro, daqueles que no estilo Robespierre da Revolução Francesa, perseguirá inimigos e amigos, trazendo o terror para a terra. Sua política será conservadora, autoritária e rígida para com todos. Bem ao estilo João sem terra, ele agirá usurpando aquilo que não é seu por direito. Mas afirmará sempre que seu direito é legítimo, mas será um grande engano. É um traidor! Essa é sua essência!

João sem terra ou João de Inglaterra, era irmão de Ricardo coração de leão que se tornou rei em 1189. João era o irmão mais novo e herdeiro em potencial. Por várias vezes chegou a querer usurpar o trono de seu irmão causando rebeliões. Depois da morte de Ricardo, seu irmão, foi proclamado rei. Passou parte de seu governo arrecadando enormes receitas, reforçando as forças armadas e fazendo alianças. Enfrentou grandes rebeliões por conta de suas políticas fiscais, promoveu reformas judiciais e elaborou a famosa “Magna Carta”. João morreu de disenteria em 1216. Foi destruído, “sem ira e nem batalha”. É de tamanha estranheza os países nórdicos hoje serem os países que tem as maiores taxas tributárias do mundo. É de lá que o usurpador começará a dominar!

Cronos era o tempo, donde deriva a palavra cronologia. Na mitologia persa, na religião chamada mitraísmo, Zurvan era o “deus” do tempo. Suas características eram as mesmas de Cronos. Interessante é que o “tempo inglês” é uma característica forte na população inglesa. Como símbolo, Londres nos apresenta o Big Ben, uma torre do relógio cartão postal da cidade. Poderá surgir naquele país um típico inglês conservador e tirano, o famoso usurpador? Ele não é o leão, já vimos quem é esse! Ele será representado pelo dragão vermelho descrito no Apocalipse (Apocalipse12:3e4). Ele é o quarto animal não identificado pelo profeta Daniel (Daniel7:7). Curioso saber que o dragão vermelho está na bandeira do país de Gales, na Grã-Bretanha e foi colocado no escudo real da Inglaterra por Henrique VII. Durante o reinado dos monarcas Tudor, o dragão vermelho foi usado no brasão de armas da coroa inglesa ao lado do tradicional leão inglês. É o dragão vermelho, o grande usurpador, quem entregará o seu poder, trono e autoridade ao Anticristo (Apocalipse 13:2) que governará o mundo logo depois dele como veremos no próximo capítulo.

Mentalidade empresarial

O capitalismo sabe corromper aqueles que deseja destruir.” (Emma Goldman)

O mundo se tornou uma gigantesca empresa! Uma transnacional! A mentalidade gerencial tomou conta de todos os setores e de todos os aspectos da vida humana: políticos, econômicos, culturais e sociais. Nas igrejas obrigadas a ter um CNPJ e no discurso dos líderes religiosos, o mercado da fé é grande. Grandes negócios, grandes igrejas! O ser humano é visto como um potencial consumidor, um cliente… um capital humano. Somos números e quanto mais numerosos, mais lucros daremos. O dinheiro e o mercado são os novos deuses deste século! Meritocracia, estratégia, planejamento, metas, todo um discurso empresarial dominando o sistema educacional. Gerentes, economistas, administradores como secretários de educação nos Estados do país. Alguém pode explicar? É a mentalidade empresarial que se instalou em nós e nesse mundo! Salve-se quem puder!

A vida humana sendo negociada nas redes sociais, através de um “nudes” e de um relacionamento líquido, como sustenta Zygmunt Bauman. No Congresso, políticos desonestos a barganhar com empresas, empreiteiros e acionistas. Em todo setor público, um forte lobby para que se torne privado e fonte de lucro para poucos. É a mentalidade gerencial! Na música, o que se vende é o que a demanda deseja receber e não o que o músico deseja doar. Nas artes, o que as valoriza é o dinheiro, a oferta. Fomos postos a venda, todos nós! Em feira livre, no sacolão da esquina, em todos os lugares se encontra gente que tem preço! Quanto vale a vida? Nem nos damos conta, mas nossa mente vem sendo formada e forjada! É mais importante hoje ser um cliente, um cidadão de direitos do que se entender um ser humano que ninguém e nem nada é capaz de comprar. De que adianta gerenciar o mundo como uma empresa e perder sua humanidade? Se perder de si mesmo e viver de ganhar e lucrar? Até nas comunidades menos favorecidas, a mentalidade empresarial domina! Chefes e gerentes do tráfico são a prova de que o mundo tem se tornado uma multinacional! É o capitalismo! Um grande pecado capital! E eu aqui na luta para que minha mente não se transforme em uma propriedade privada.

Anderson Luiz

Os excluídos

A assunção de nós mesmos não significa a exclusão dos outros.” (Paulo Freire)

Eles são muitos! São a base da “pirâmide social”! Favelados, drogados, perseguidos pela cor, pela forma, pela vestimenta, pela região onde nasceram e pela opinião. São os descrentes e mesmo os crentes sinceros. Operários, pouco instruídos, intelectuais que se voltam contra o “status quo”, homossexuais, nativos, injustiçados e excluídos dos melhores lugares da mesa farta do mundo. Doentes, loucos e presidiários, que na visão de Foucault estão sendo “disciplinados” fisicamente. Excluídos que não recebem um convite sequer para participar da festa regada a vinho e alegria, privilégio da minoria.

A exclusão é uma construção histórica e diabólica! É um castigo similar ao dos “escravos” egípcios que passaram anos construindo o túmulo (pirâmide) dos reis “semi-deuses”. É a condição humana que recebe variados nomes na história: plebeus, o povo, o terceiro estado, sans-culottes, os párias, o proletariado, as classes subalternas, …vagabundos, escória, raça desprezível e imunda. Desde a confusão que se fizeram para ratificar uma ideologia política-econômica, o liberalismo clássico do “laissez faire”, tomando o darwinismo como um exemplo, a coisa piorou. A ideia de um “darwinismo social” onde os mais fortes e mais aptos tendem a vencer, pois é parte da natureza humana e animal, é um engodo. A ideia do mérito, da individualidade forte que sobressai as demais e de que a fraqueza e a exclusão de uma maioria é natural, fruto e culpa de uma natureza fraca e predestinada a predação, é uma artimanha. É o capitalismo selvagem! É a síndrome de Lúcifer! É a ideologia da aristocracia, da oligarquia e da plutocracia! É a mentalidade de uma elite privilegiada e “escolhida”, que vê os excluídos como moscas e anseiam por uma higienização social o mais rápido possível. Não sentem pena, não são capazes de enxergar a injustiça, a frieza os congelou o coração a ponto de aceitar a predação humana como natural. O mundo é um reino animal, eles pensam. Competição, predação e egoísmo! Nada de cooperação, companheirismo e apatia! Qualquer sinal de solidariedade no mundo recebe a pecha de “comunismo” e é execrado! Afinal, todos tem o que merecem! Não conhecem a ética, são amantes da vaidade, mentirosos profissionais, impiedosos desde que os “fins venham a justificar os seus meios” ardilosos e diabólicos. E nessa escalada ao céu, ao topo da pirâmide, vale tudo. Eis que chegará o fim! O abismo anda farto! Até as estrelas se tornam cadentes e morrem!

Anderson Luiz

Capítulo 7 Características do falso cristo

Capítulo 7

Características do falso cristo

Depois, se levantará um rei poderoso, que reinará com grande domínio e fará o que lhe aprouver. Mas, no auge, o seu reino será quebrado e repartido para os quatro ventos do céu; mas não para a sua posteridade, nem tampouco segundo o poder com que reinou, porque o seu reino será arrancado e passará a outros fora de seus descendentes. (Daniel11:3e4)

Perguntaram-lhe: Mestre, quando sucederá isto? E que sinal haverá de quando estas coisas estiverem para se cumprir? Respondeu ele: Vede que não sejais enganados; porque muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu! E também: Chegou a hora! Não os sigais. (Lucas 21:7e8)

Já sabemos que há uma lei espiritual ativa no mundo: “Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem e quantos neles confiam” (Salmo 115:8). Também sabemos que a astrologia não se resume apenas a acreditar que cada signo traz suas características. Existe algo além disso! A milícia celestial, os seres angelicais que a si mesmos se fizeram “deuses”, se ocultam regendo cada signo. Repartiram a terra entre si e também repartiram o direito de reger (governar) a vida daquele que nasce no período de seus domínios. Tornam semelhantes a eles mesmos seus adoradores, seus cultuadores e aqueles que acreditam nas suas artimanhas e poderes.

Os mitos, a astrologia e os pretensos “deuses” tem uma influência tão grande na história humana (na maioria das vezes nem percebemos) que é possível identificar essa influência em todo o nosso calendário. Nossos meses e nossos dias da semana foram dedicados as milícias celestiais. Só como exemplo podemos citar a segunda-feira (monday) o dia da “deusa” da lua, o domingo (sunday) o dia do “deus” sol, o sábado (saturday) o dia do “deus” Saturno e a quinta-feira (thursday) o dia do “deus” Thor. Nossas festas (algumas delas de origem pagã e convertidas em cristãs) celebram rituais antigos e cultos a essas divindades. Hoje em dia, bastante camuflados, esses cultos se transformaram em festas e comemorações sem sentido aparente. A data do Natal era uma comemoração da chegada do “deus” sol no solstício de inverno nos países nórdicos. O carnaval é uma imitação grotesca dos bacanais, festas dedicadas ao “deus” Baco que era o “deus” do vinho, das orgias, das ilusões e fantasias. A páscoa com seu coelho é uma representação da “deusa” da fertilidade Easter. São tantas as influências pagãs em nossa cultura que é impossível descrever todas.

Há um mistério no conhecimento da lei espiritual relatada, que nos permite identificar as características de figuras sombrias que já apareceram e continuarão aparecendo no mundo, figuras essas influenciadas e guiadas plenamente pelos “deuses”, ou como querem muitos: os anjos caídos. Uma delas é o chamado “falso cristo”, um ser que aparecerá e já é esperado há muito tempo pelos simpatizantes e místicos da “Nova Era de Aquário”. Chamado de Maytrea, ele será segundo a crença deles, um Cristo cósmico, um Buda de nossos tempos, iluminado e carismático. Será do signo de aquário, o qual é regido pelo “deus” Urano, figura mitológica compatível a Lucifér. Lucifér é um enganador, um mestre da ilusão e do disfarce, se apresenta como um “iluminado”, um “cristo” e “salvador” diante de seus cultuadores. Há milhares de luciferianos mundo à fora!

O falso Cristo será levantado da terra (Daniel 7:4), será um homem notado pela sua ascensão. Lembre-se que ele será influenciado pelo cavaleiro que “sai vencendo e para vencer”. Será uma espécie de Nabucodonosor de nossos dias, um ser soberbo, ambicioso e vaidoso ao extremo. Foi Nabucodonosor um adorador de Bel, o “deus” compatível com Lucifér (Daniel 4:8). Esse rei da nova babilônia ficou registrado na história pela sua vaidade e opressão. Vários tijolos das ruínas de construções da Babilônia continham o nome de Nabucodonosor inscritos. Esse rei teve uma evidência tão grande na história, que o profeta Isaías descreve a queda de Lucifér (a estrela da manhã, filho da alva) usando a alegoria da vida de Nabucodonosor (Isaías 14:3a23). Ele construirá um nome do qual ele se orgulhará, e por esse nome se apresentará como um “salvador”, um “pacificador” e corajoso líder. Surgirá no caos e se apresentará como a ordem que surge no meio desse caos. Conduzirá o grande espetáculo como um maestro, e será o criador de um teatro já ensaiado há muitos anos.

Tanto Nabucodonosor, como alguns “deuses” compatíveis com Lucifér, sempre foram assombrados por visões e sonhos de morte. Nabucodonosor foi atormentado por essas visões (Daniel4:4e5). A Morte, o cavaleiro do cavalo amarelo, será o tormento de uma luta histórica e mentirosa, criada pelo enganador Lucifér: a luta do “bem contra o mal”, das “trevas contra a luz” que ele diz representar. Na mitologia nórdica, Bálder era o “deus” da luz, da paz, da justiça e sabedoria. No conto mitológico, Bálder um dia foi atormentado por pesadelos de morte que fizeram com que sua mãe pedisse o juramento de todos os seres vivos de que nunca fariam mal ao seu filho. Loki, um “deus” invejoso, provocativo e irado compatível com Satanás, acaba por descobrir que o visco foi o único que não prestou juramento. Loki usou o irmão cego de Bálder, o “deus” Hod para atirar o visco sobre ele, e o matou. Hod representa a morte cega, a destruição que se faz na obstinação. Hod é compatível com Abbadom, a Morte. Essa luta da “luz contra as trevas” é antiga e também se apresentou na mitologia persa entre o “deus” Ahura Mazda e o “deus” Arimã. Mazda representava a luz enquanto Arimã, as trevas. Eram irmãos que segundo a profecia do pai deles, quando terminasse o reinado de um, começaria o do outro. Uma “nova era” surge do embate dessas figuras sombrias, camufladas sempre no engano de uma luta encenada do “bem contra o mal”. Também na mitologia da babilônia essa luta era representada pelas hostilidades entre Baal e Mot. Em toda a mitologia pode-se perceber essa farsa da “luz contra as trevas”. E assim se dará na vinda do falso cristo, quando um espetáculo mundial será montado e um líder obscuro reinará trazendo as trevas ao mundo. Nesse momento de profundo desespero, angústia e dor, surgirá o falso pacificador, o falso cristo que estará preparado para aquela hora e trará uma falsa sensação de paz. Mas quando disserem paz, aí é que estourará a guerra (I Tessalonicenses 5:3). Essa luta apocalíptica foi revelada ao profeta Daniel como um embate do primeiro rei do norte contra o rei do sul, antes dos últimos dias (Daniel 11:3a5). Muitos serão enganados! Muitos serão os que admirarão o falso cristo sem saber da farsa! E ele se apresentará como aquele esperado por muitos. E ele enganará Israel!

Há uma grande possibilidade do falso cristo ser um judeu ou ter descendência judia. Pode ser que seja inglês também, já que seu governo se iniciará na Inglaterra como vimos. Ele é o “leão”, o primeiro animal do profeta Daniel. A relação dos judeus com essa figura é antiga! Israel sempre teve uma queda para adorar Baal, o arquétipo de Lucifér na mitologia dos fenícios. Essa história se repetirá diante do falso cristo, o escolhido de Lucifér? O certo é que a soberania do Altíssimo permitirá essa figura agir na terra. Ele é o “rei de reis”, a “cabeça de ouro” a quem o Altíssimo permitiu reinar por um certo período (Daniel 2:37e38). Essa soberania foi reconhecida pelo profeta “como o domínio sobre o reino dos homens que o Altíssimo dá a quem quer” (Daniel4:17). O falso cristo será um surtado, um obcecado por adoração, bajulação e poder. Dará ordens para que uma imagem e semelhança sua, seja objeto de adoração (Apocalipse 13:14a18). Seria essa imagem que fala, a concretização do desejo ardente da ciência moderna: a criação de um clone humano? Nabucodonosor também mandou criar uma gigantesca estátua e deu ordens para matar a quem não adorasse a imagem.

O rei Nabucodonosor fez uma imagem de ouro que tinha sessenta côvados de altura e seis de largura; levantou-a no campo de Dura, na província da Babilônia. Então, o rei Nabucodonosor mandou ajuntar os sátrapas, os prefeitos, os governadores, os juízes, os tesoureiros, os magistrados, os conselheiros e todos os oficiais das províncias, para que viessem à consagração da imagem que o rei Nabucodonosor tinha levantado. Então, se ajuntaram os sátrapas, os prefeitos, os governadores, os juízes, os tesoureiros, os magistrados, os conselheiros e todos os oficiais das províncias, para a consagração da imagem que o rei Nabucodonosor tinha levantado; e estavam em pé diante da imagem que Nabucodonosor tinha levantado. Nisto, o arauto apregoava em alta voz: Ordena-se a vós outros, ó povos, nações e homens de todas as línguas: no momento em que ouvirdes o som da trombeta, do pífaro, da harpa, da cítara, do saltério, da gaita de foles e de toda sorte de música, vos prostrareis e adorareis a imagem de ouro que o rei Nabucodonosor Levantou. Qualquer que se não prostrar e não a adorar será, no mesmo instante, lançado na fornalha de fogo ardente. (Daniel 3:1a6)

Provavelmente, o falso cristo será de uma linhagem real e será adorado como um herói na maneira dos semi-deuses da mitologia greco-romana. Terá a ambição de conquistar o mundo como um Alexandre, chamado na história de “o grande”. Acumulará as características de um Ricardo, coração de leão e agirá na valentia de um rei Arthur, com seus cavaleiros da “Távola redonda pós-moderna”. Será um capitalista neoliberal, do tipo Ronald Reagan. Possuirá uma veia artística, será um belo ator capaz de convencer e seduzir o mundo sem discernimento, com sua lábia e poder de convencimento. Um cultuador do novo mundo com suas tecnologias. Virá em teu próprio nome (João 5:43) e adorará ser adorado, bajulado e acariciado em seu ego. Será um ser soberbo, ambicioso, conquistador, um neoliberal astucioso, boêmio, beberrão e atormentado pelos pesadelos de morte. Segundo as características de Nabucodonosor, o falso cristo:

* Poderá ter uma ligação profunda com a música. (Daniel 3:5e6/Isaías 14:11)

* Semeará a iniquidade e a falta de misericórdia contra os pobres como um bom capitalista e neoliberal. (Daniel 4:27)

* Para os povos que o verão como inimigo (provavelmente o Oriente), será um tirano e opressor. (Isaías 14:4)

* Enfraquecerá nações, desestabilizará governos até que ele se apresente como solução. (Isaías 14:12)

* Será um “renovo bastardo”, um falsário, um dissimulado e uma fraude. (Isaías 14:19)

* Não terá nenhum de seus descendentes governando depois dele. Todos os seus filhos serão mortos pelos seus inimigos. (Isaías 14:21e22/Daniel 11:4)

Mundo conceitual

Oh, qual insuficiente é a palavra e quão ineficaz/ao meu conceito!” (Dante Alighieri)

Vivemos em um mundo repleto e dominado por conceitos! Aliás, o termo “mundo” é um conceito e cada ser possui a definição do que isso significa. Segundo as definições dos dicionários, o conceito seria o pensamento e a ideia que alguém tenha de uma palavra. O “espírito” das coisas? Platão sugeriu um “mundo das ideias”, onde tudo se iniciava… o princípio de tudo. Esse “mundo das ideias” abstratas foi interpretado pelo filósofo alemão Hegel como o “Espírito”, a essência de tudo que se materializa e toma forma nas coisas. Marx inverte essa lógica e diz que o “mundo material” é que produz os pensamentos, as ideias. Deixando de lado essa controvérsia entre filósofos, não podemos negar o domínio dos conceitos em nossa realidade cotidiana.

Nem nos damos conta o quanto somos dominados por conceitos, abstrações e ideias. Nossos “deuses” tentam ser muito mais concretos do que imaginamos e eles nos dominam com mãos de ferro. O “deus mercado” é implacável! Todos morrem de medo dele! A “Economia” é um conceito que a todos domina e a todos manipula! O “Estado”, essa figura abstrata, imaterial e sem concretude aparente nos governa a todos. A “Religião”, essa ideia humana que promete unir o homem ao divino é só uma pura ilusão! A “Política”, esse emaranhado de ideologias do poder, aparente organização que parece regular a todos nós, não existe de fato. Ninguém pode atestar a existência da “Política”, pode? O que existem são conceitos e somos dominados sempre por eles! Economia, Mercado, Religião, Estado, Natureza, Política, são deuses e deusas da pós-modernidade que subjugam a todos nós humanos. As ideias, geralmente as ideias dos mais “fortes”, dos que tem mais (ricos) e que podem fazer prevalecer a sua versão da História, são as ideias dominantes que se transformam em conceitos, como bem definiu Karl Marx? Ou será que o “Espírito” é que dá forma a realidade e se materializa nela?

Há um perigo muito grande na interpretação e no engessamento dos conceitos! Determinados conceitos generalizam, marcam a ferro e negam a individualidade e a heterogeneidade humana. Um “partido político” não é, nunca foi e nunca será corrupto! O único que pode ser corrupto é o ser humano, que é concreto e não abstrato! O conceito de “índio”, de “judeu” e de “muçulmano”, são exemplos de como o perigo da generalização dos conceitos pode destruir as individualidades. Existem diversas tribos indígenas, com costumes, línguas e culturas extremamente diferentes umas das outras, e o mesmo vale para judeus e muçulmanos. Mas pelos conceitos, insistimos em marcar a ferro e fogo, todos eles com as mesmas ideias e pré-conceitos. No mesmo sentido, quando falamos da “massa”, do “povo” ou da “plebe”, engessamos pessoas com diferentes pensamentos, empregos, estudo e diferentes modos de vida enquanto simplificamos tudo isso em uma única questão que lhes seja comum: a situação econômica. O que se ganha em suprimir a individualidade de milhares? É mais fácil modelar uma “massa” com as mãos ou fazer isso com os grãos da areia? Que os conceitos não nos dominem, pelo menos no lugar em que eles nunca deveriam dominar em nós: na nossa mente.

Anderson Luiz